quinta-feira, 22 de agosto de 2019

A Biblioteca Seráfica - Mais Shadowlands no Blog!

Galera, uma rápida aventura solo esses dias na minha campanha  de Mighty Blade nas Shadowlands me presenteou com mais esse cenário, uma biblioteca sombria e misteriosa perdida nos Vales da Aurora, sendo talvez o único lugar do mundo todo das Shadowlands a ter registros do mundo antes do grande cataclismo que lançou tudo na escuridão.

O caminho para a Biblioteca Seráfica



Ninguém sabe ao certo onde fica a Biblioteca. Sabe-se que alguns Membros da Fortaleza das Estacas, uma ordem quase militar de Lobisomens que vivem nos Pântanos Fétidos, empreendem longas buscas para encontrá-la, muitas vezes atrás de um único pergaminho, ou uma única frase de algum tomo.
Verdade é que é impossivel encontrar o caminho para a Biblioteca. O que é preciso fazer é encontrar a Mulher Velha.
A Mulher Velha é uma senhora em roupas elegantes e novas que vaga pelas terras sombrias. Ela não possui o dom da fala, e ninguem faz a menor ideia de quem ela seja de fato.
Alguns dizem ser uma bruxa, outros dizem ser uma vampira, muitos dizem ser um espectro amargurado, e outros atestam ser a propria manifestação da Biblioteca.

Qual seria a verdade?


Apenas a Mulher Velha sabe o caminho, e ela cobrará um preço alto, que nunca será dinheiro, joias ou bens materiais.
Será algo bem mais precioso, e do qual você nunca poderá revelar a ninguém, sob pena de sofrer uma maldição terrível caso revele a alguém.

A Mulher Velha conduzirá aqueles que aceitarem o acordo até a Biblioteca, um prédio enegrecido de arquitetura gótica.
Não há bibliotecários na Biblioteca Seráfica. No entanto, os corredores e salas sempre estarão limpos e arrumados, e os livros e pergaminhos em suas respectivas estantes.
Lá dentro, reina a escuridão, e apenas uma tocha ou lampião pode auxiliar na leitura.
Não se sabe por que do nome "Seráfica", e verdade é que ninguém se lembra de ter existido tal biblioteca ANTES do grande cataclismo.

Teorias e Rumores

- A Biblioteca existe em duas dimensões simultaneamente - o inferno, sua dimensão original, e aqui, nas Shadowlands;
- Existe uma série de corredores subterrâneos que se estendem por centenas de quilometros, ligando a Fortaleza das Estacas, o o Castelo do Lorde Vampiro;
- Só se pode pegar o livro ou pergaminho que motivou sua busca e ida até lá. Tentar ler qualquer outra coisa lá conduz a loucura e morte;
- O nome "Seráfica" faz referencia aos verdadeiros donos da Biblioteca, anjos caidos de grande maldade e poder;
- Realmente a Biblioteca é governada por anjos, o que prova que o grande cataclismo destruiu também os reinos celestiais, sendo esses anjos os unicos sobreviventes do Céu verdadeiro;


Continua...

Entrevista com Aline Rebelo, sobre AMIGO DRAGÃO!


Bom, galera,  muito provavelmente todos já conhecem o projeto AMIGO DRAGÃO, um RPG solo feito especialmente para crianças e jovens que se encontram dentro do espectro autista, ou que tenham problemas de interação social (além de ser um excelente jogo para todo mundo , de qualquer idade!).
Nesse exato momento, dia 22 de agosto, 15° dia de campanha, o projeto já bateu a meta inicial, tendo arrecadado 126% do seu valor total. 
Um sucesso estrondoso!
A entrevista abaixo vai soar um pouco "defasada", pois quando ela foi feita, o projeto ainda não havia batido sua meta inicial. E digo: nunca uma defasagem foi tão bem vinda!
Sem muitas enrolações, conversei um pouquinho com a Aline Rebelo, que conta um pouco mais sobre esse projeto incrível!

Como sempre, sem cortes ou edições!

1-Como surgiu a ideia de criarem um jogo como esse? Como foi o desenvolvimento do projeto da ideia até o financiamento?
 Assim que soubemos que a Emma estava no espectro autista nós largamos em disparada para ajudar nossa pequena, e em nossos estudos e pesquisas vimos que o RPG (que é um jogo maravilhoso) ainda possui pouco material voltado para pessoas com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e logo pensamos: Vamos fazer um!
Para desenvolver ele nós pensamos muito em como o RPG poderia de fato ajudar autistas, afinal cada um se encaixa de forma diferente dentro do espectro, mas todos tem uma dificuldade em comum que são as habilidades socias e partindo dai surgiu o “Amigo Dragão”.
O projeto esta sendo pensado cuidadosamente em cada detalhe. O Tiago na parte do game design, eu na parte criativa e narrativa e o Bruno Junges (irmão do Tiago) na ilustração, que aliás, ficou sensacional.

2-O jogo surgiu da própria experiência de vocês com a sua filhinha Emma – que aliás, é linda, fofíssima demais, gente de Deus! – vocês poderiam nos contar um pouco quais os desafios de crianças e pais, em nosso país, relacionados à criação, educação , crescimento, oportunidades e ajuda nessa questão do espectro autista?
Sou suspeita para falar né, mas a Emma é linda mesmo e além de tudo uma criança incrível!
O Autismo é uma condição complexa e que começou de fato a ser estudada e tratada de forma adequada a pouquíssimo tempo. Aqui no Brasil as terapias não são acessíveis são praticamente um luxo, planos de saúde muitas vezes não cobrem os tratamentos e ONGs e APAES são muito disputadas o que leva o tratamento ser de difícil acesso.
Escolas em sua grande maioria estão despreparadas para receber essas crianças.
Criar uma criança com uma condição especial exige que um cuidador esteja disponível em tempo integral para levar em terapias o que compromete a renda da família. E os auxílios para autistas também não são fáceis de conseguir, vejo muitas famílias que estão a muitos anos tentando sem sucesso.
Infelizmente é um cenário bem nebuloso mas que acredito que vai mudar.

3-Nesse exato momento em que escrevo essas questões, o Amigo Dragão está com 41% das metas atingidas..(correção/atualização: as metas já foram batidas, e o projeto já arrecadou 126% do seu valor inicial, e ainda faltam 45 dias de campanha).e é apenas o começo do segundo dia! Acho que isso por si só deixa claro como projetos assim são necessários, não acham?
Extremamente necessários!
Eu tenho uma prima autista que até o diagnóstico da Emma eu descobri que não sabia absolutamente nada sobre autismo, pessoas que possuem qualquer condição e que foge ao que é considerado “normal”, são isoladas e sofrem com discriminação por pura falta de informação.
Projetos assim dão visibilidade e mostram por exemplo que autista é capaz de tudo inclusive jogar RPG!


4-Como estão sendo os playtests de amigo Dragão? A Emma tem participado com vocês?
Os playtests estão sendo feitos por nós e crianças da nossa família. Uma delas tem TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e foi sensacional, prendeu muito a atenção dela e a resposta foi muito positiva.
Assim que tivermos a versão final vamos disponibilizar para terapeutas e professores jogarem com crianças com TEA.
Emma participa fazendo arteirices na volta. hehehe
Ela tem 2 anos meio e não fala ainda mas logo ela vai jogar!

5-Vocês pretendem , caso as metas sejam superadas e o projeto arrecade o suficiente (e não há duvidas quanto a isso), enviar copias para instituições e ONGs que trabalhem questões abordadas pelo jogo. VoCês sabem se algo do tipo de “Amigo Dragão” já foi aplicado dentro desses espaços/ambientes?
Sim, assim que atingir a meta para cada livro vendido um será doado para intuições, clinicas e ONGs.

Não sabemos de nada igual ao “Amigo Dragão”. Inclusive quando falamos do projeto para a terapeuta da Emma ela ficou empolgadíssima e nos orientou em relação as habilidades sociais, flexibilidade cognitiva e memória de trabalho e ficamos extremamente felizes pois já estávamos nesse caminho. 

6- Que projeto maravilhoso! Todo mundo que entra em contato se encanta! Com certeza será financiado, a julgar pelos primeiríssimos resultados. Quais os planos depois que a meta for batida?
É realmente um projeto maravilhoso e cheio de significados, confesso que me emociono demais cada vez que trabalhamos nele.
Assim que atingirmos a meta, além de doar um livro para cada um que for vendido vamos começar a planejar uma expansão pois estamos cheios de ideias para o “Amigo Dragão” e que se tudo der certo podemos produzir ele nesse financiamento que esta em andamento.

7- O projeto é diferenciado por vários motivos...por poder ser utilizado como uma ferramenta pedagógica, por focar jovens e crianças com dificuldades de interação social ou dentro do espectro autista...e por ser um RPG solo! Agora uma pergunta meio ...”puxando sardinha pro meu lado”...nossa comunidade e tudo que temos feitos lá influenciou vocês de alguma forma?
Influenciou, e muito!
Assim que pensamos em criar um RPG para crianças com dificuldades de interação pensamos de primeira no RPG solo que proporciona uma experiencia incrível de jogo, e por ser solo faz com que a criança se sinta livre, segura, sem julgamentos e no tempinho dela para tomar suas decisões no jogo, algo que um RPG convencional não conseguiria proporcionar.
E lembro que no dia que teve o depoimento do Amir no grupo “Solo RPG” eu me emocionei demais e disse pro Tiago: Vamos começar aquele nosso projeto?


8- Bom, gente, agora o espaço é de vocês! Podem falr o que quiserem, fazer jabá, criticas, agradecimentos, receitas...pode ser um simples “Tchau” até uma tese de doutorado! Alguma coisa a ser dita?
Quero agradecer demais o espaço.
Tiago e eu estamos felizes demais em poder colocar na pratica esse projeto, desejamos de coração que ele possa além de ajudar nossa pequena Emma, ajudar muitas outras crianças!

Eis aqui o link do projeto, para quem quiser conhecer e apoiar: Amigo Dragão

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Entrevista com o criador de jogos Tiago Alves


Galera, hoje trazemos uma  entrevista exclusiva com a maquina de criar jogos chamada Tiago Alves!
Pra quem não associou o nome a pessoa, Tiago é o nome por trás de jogos como3 Dados 1 RPG 1 Vida (e seus muitos suplementos), 8 Bit Dungeon (versão nacional), entre muitos, muitos, muitossssssssssssssssssssssssssssssss outros!

Vamos lá então!


1-      Tiago, como foi que você conheceu o mundo dos RPGs, como jogador?
Fala, grande mestre!

Primeiramente gostaria de agradecer a oportunidade e o espaço que você representando nossa comunidade do RPG SOLO abriu. Sou muito fã do seu trabalho e não sei se teria algo a acrescentar na entrevista... ora, ora... Mas vamos lá.
Eu conheci RPG quando era moleque, lá pelos 12, 13 anos... Joguei Ad&d com meu primo e uma galerinha que tinha amizade em uma cidade de interior.
Eu fiquei maravilhado com o jogo e a forma que se joga, ainda mais com aqueles dadinhos multifacetados (d4,d12, d8...).
Você bem sabe que para um adolescente nesta idade a imaginação é 10x não, pior 100x mais apurada do que a nossa de adultos. Então eu vivia mesmo as aventuras do meu “guerreiro” criado no jogo de forma muito imersiva mesmo o meu primo (o mestre) não ser também um “mestre experiente e profissional”. Hahaha
Foi uma farra.
A partir dai ele me empresou para ler outros de seus livros, que eram o GURPS e em seguidas edições iniciais do 3d&t. Nunca joguei estes livros naquela época mas foi este contato e porta de entrada para este mundo maravilhoso e fantástico do RPG.


2-      Em que momento você se sentiu motivado a criar os seus próprios jogos?

Eu já criava jogos de tabuleiro quando mais novo. Eram jogos simples de trilha, em que você avança as “casinhas” e tinha que chegar na “chegada” para vencer. Com o conhecimento de algumas regras de RPG bolei um jogo, ainda de trilha, mas com elementos de RPG, como tipo de itens e sistema simples de combate.
Por exemplo: caí na casa de” !” puxa uma cartinha que tem item, cai na casinha com um bonequinho com cara de mal era para vence-lo num combate.
UM JOGO DE CERTA FORMA SIMPLES, DE 2 A 6 JOGADORES QUE... NIGUEM JOGAVA.
 hahaha #xatiado
O tempo foi passando, cresci, com grande poderes vem grandes responsabilidades (como contas à pagar). E deixei de lado um pouco o hobby de criação.
Recentemente, um pouco antes de conhecer a comunidade Solo RPG havia criado outro jogo também de trilha, com elementos de RPG, cartas e etc e desta vez minha namorada (atualmente noiva) jogava comigo e me dava um puta...digo, mega incentivo. Mas mesmo assim não jogávamos sempre.
Agora... Minha maior motivação e esse tal “buuum” que aconteceu de criar muitos jogos é a forma que conheci o RPG SOLO de outra forma além de livros-jogos.
Deu pra perceber que a maioria dos meus jogos são reinvenções de algo já criado?
Até os famosos jogos de trilha eu gostava de inventar moda e colocar elementos nele, o “3 dice dungeons” que conheci através do seu canal, o 3 dados 1 vida 1 RPG é filho evoluído dele e por ai vai.


3-      Você já criou muita coisa...poderia falar um pouquinho sobre as suas criações favoritas?

Ah sem duvida é o 3 dados 1 vida 1 RPG e todos os seus suplementos e adaptações de gêneros.
Apesar de ser desenvolvido a partir de algo já existente (3 dice dungeons e 8 Bit dungeons + impetus), como disse antes, algo reinventado.
Não sei se é copia e talvez seja ate presunção da minha parte dizer que “eu o criei” (fico na duvida até hoje de falar se foi eu mesmo quem o criou).
Mas o fato é: o 3 Dados 1 Vida 1 RPG é o meu favorito por conta da sua mecânica adaptável, simplicidade de criar personagens (amo isso) e até campanhas instantâneas de aventuras.
Afinal, a proposta dele é: “com apenas 3 dados você simula 1 vida e ainda joga RPG.”


4-      Está trabalhando em algum projeto novo ou suplemento para seus jogos?

Nossa, sim!
Muitos!
Minha mente borbulha para milhares de ideias. Como eu não posso produzir tudo em grande escala ao mesmo tempo, anoto os insights, vou arquivando e produzindo o que mais eu estou pilhado no momento.
E o que temos na linha de produção?!
“Puxa a  cadeira, senta no chão e se liga no mistério:”
- 8 bit Dungeons – Bordelands
- 3 dados 1 vida 1 RPG – Desventuras de uma vida pacata
- 3 dados 1 vida 1 RPG – Entre heróis e espiões
- 3 dados 1 vida 1 RPG – Suplemento definitivo
- Eu contra o mundo (uma pegada meio que mad max mundo aberto com a possibilidade de criar itens)
- MOBA RPG – um jogo solo de tabuleiro baseado nos famosos jogos do LOL, DOTA e Heroes of Storm)


5-      Falando de outros criadores, quais te inspiram em suas criações?

Adoro os jogos da galera da Jambô editora. Eu não sei de todos os nomes para dar os devidos créditos... Mas curto muito a galera da Jambô. Tanto é que meus RPG favoritos foram comprados deles: Star Wars Fronteira do império, Dragon Age e 3d&t Alpha.
Adoro também o trabalho do meu xará: Tiago Junges da Coisinha Verde. Ele tem uma proposta muito boa e uma mega experiência fod...legal. Aprendo muito com ele.
E um tal de Tarsicio lucas que é professor de inglês, espanhol, música e jogador de RPG a mais de 21 anos. “Esse cara é fera! O loco! Tanto no profissional quanto no pessoal!” Ele me abriu todo o leque de possibilidades, não só solo, mas como a sistemas “diferentões”.

6-      Que RPGs você mais gosta de jogar?

Como citado a cima:
Star Wars, Dragon Age e 3d&t.
E atualmente tenho um grupo de RPG nas sextas e domingos (quando dá) o conhecido internamente como “RPG dos enrolados”. No qual meus melhores amigos e minha amada noiva jogamos D&D 3.5 no universo de Tormenta (sexta). E domingão, quando dá, minha amada noiva Paula mestra o star wars.
(Fato interessante: ela manja tudo de star wars, tema até de seu TCC).



7-      Além de criar jogos, quais são seus outros interesses, pessoal e profissionalmente falando?

Bom, profissionalmente sou analista de marketing e designer. Possuo uma empresa chamada On Designer onde presto serviços de arte e marketing.
Gosto de jogar vídeo games, RPG e também sou professor, tenho um projeto muito legal com os jovens da minha igreja.
Gosto de desenhar historia em quadrinhos e tirinhas (ao menos tento). Falando em quadrinhos, curto os da Marvel e filmes e essas paradas da cultura geek.


8-      Você tem planos de lançar seus jogos por alguma editora oficialmente, ou através de financiamento coletivo, ou algo do tipo?

Sim claro!
Adoraria!
Só tem um porém NÃO TENHO A MENOR IDEIA como se faz isso.
Então estou aberto a ideias e sugestões para me ajudarem nisso. Porque realmente gostaria de trazer ao grande publico meus jogos, talvez nem os jogos, mas os mundos e universos que gosto de criar.
Porque aí sim, seriam algo revisado, bonito desenhos originais criados por mim e claro: sem “assassinatos da língua portuguesa!” hahahah


9-      Sei que você já contou isso no seu site, mas poderia nos contar aqui como foi seu contato com o RPG solo?

Bom, num belo dia... “o sol brilhava, os pássaros cantavam, as flores desabrocharam nos campos verdejantes e a brisa no meu rosto me fazia pensar em poesia”... daí, não pera! Deixa eu focar aqui!
Como disse na entrevista, tenho um grupo de RPG, ultimamente estamos conseguindo manter a rotina e estamos jogando regularmente (morram de inveja! Buahahah!). No entanto, na época não era assim.
E pior, eu tinha já pilhas e pilhas de livros de rpg que nunca havia jogado por falta de jogadores. E estes livros, muitos deles foram comprados na época que estava finalizando este hiato de anos sem jogar RPG (Citado no site).
Quando pesquisei na internet só achava que RPG SOLO eram os livros-jogos. Eu adoro livros-jogos mas não queria isso. Vi seus vídeos no youtube, passava direto porque ao ler os títulos achava que eram a mesma proposta. Confesso que nem era bem RPG solo que pesquisava, eram outras coisas... Não lembro.
Até que bati o olho em 2 títulos de seus vídeos em específico: “Gameplay de como Jogar RPG sozinho” e “encarando uma dungeon sozinho”. Pensei: “ah para! Sério! Que coisa de LOSER! HAHAH duvido RPG é pra ser cooperativo e tal... a menos que seja livro jogo!”
Mano, quando vi minha mente fez um “bum” explodiu e fiquei de cara, dai fui vendo os demais vídeos, tabelas top 10 jogos solos e pensei: “mano que loucura! Vou tentar isso!”
E estou nessa “loucura até hoje”.


10-  Aqui o espaço é seu, para falar o que quiser! Faça seu jabá, de suas ultimas palavras, sugestões, criticas... Seja livre, cara!

Bom, obrigado mais uma vez pelo espaço.
Além de deixar meu jabá gostaria de também deixar uma experiência de como foi meu primeiro jogo solo. Como me senti jogando e como me senti depois que a primeira aventura terminou.  Ele quebrou muitos paradigmas que eu tinha e com certeza muitos jogadores têm! É um pouco longo, desculpe o textão.

Tiago Alves – Criador de jogos – Analista de Marketing - Designer
OnDesign – empresa de design e marketing digital:  ondesign28.wixsite.com/ondesign
Site de tirinhas e minhas revistas em quadrinhos:  issuu.com/tiagoalves978

Então... Não vou falar das mecânicas, mas da experiência em si.
Primeira vez que joguei solo apliquei as técnicas vistas nos vídeos do Tarcício Lucas: “Como montar seu próprio rpg solo. Faça você mesmo!” – “O Templo de agamoto 1 e 2” – “encarando uma dungeon sozinho”
Montei uma tabela de aventuras, outra de inimigos, armadilhas, cenários, descrições, etc. Fiz um mapinha quadriculado, tudo muito bonitinho. Peguei meu livro de 3d&t Alpha (nunca usado), vários d6 e bora lá.
Confesso que nas primeiras rolagens achei meio estranho. E conforme fui improvisando a trama embasadas nas rolagens e depois alternando como jogador achei meio paia. Nossa que triste. Coisa de Loser!
Realmente esquisito inventar e ao mesmo tempo jogar, já meio que sabendo das possibilidades.
Mas fui até o final. Na época não sabia como iria criar as “dungeons”, ou seja, como criar salas e tal e então não injeçado nos vídeos, fui criando “minhas regras” o que ficaria melhor para mim e melhor para minha imersão (esse é o grande segredo do RPG SOLO).
Depois que acabou a minha primeira aventura. Parei, olhei tudo que havia feito, revi os mapinhas e onde os personagens exploraram e comecei a relembrar cada evento dos personagens. Igual quando se termina de jogar uma sessão de RPG convencional com vários amigos, você pode por exemplo, parar e relembrar cada feito dos seus personagens, o que aconteceu na aventura e como os desafios foram superados, etc.
Cara! Foi a mesma coisa! A única diferença era que não haviam mais jogadores, somente eu... MAS a historia aconteceu!
Dai nas próximas aventuras, cismei de escrever tudo que meus personagens haviam feito, como se fosse uma historinha mesmo. Sendo que cada missão sorteada era o título do capitulo, por exemplo.
E eis que vos digo: fiquei maravilhado de como a historia se desenvolveu, como meus personagens reagiram. Teve coisas que fui lapidando e concertando e arrumando contextos na historia que encerrava e fazia ainda mais sentido quando eu escrevia. Dai quando menos esperava esta com uma aventura épica pronta! Uma experiência de jogo do caral... Legal pra dedel! E foi indo e tá sendo até hoje.
Atualmente estou escrevendo uma crônica de uma campanha solo de 3d&t no cenário de Tormenta. Faltam 2 aventuras para terminar. E agora estou criando uma de Harry Potter da mesma forma e sistema. Todos com o meu” maravilindo” oráculo (disponível no arquivo do grupo).

No mais é isso.
Mais uma vez, grande mestre Tarcisio Lucas, muito obrigado pelo espaço.
Não sei se fui interessante, mas creio que talvez esta pequena experienciazinha possa servir pra muita gente se identificar e quebrar vários paradigmas de rpg solo sendo jogado desta forma.
Vlw! Um grande abraço a todos os “players” que acompanham o blog. Muito obrigado por jogarem meus jogos, darem feedbacks. Serio, meus jogos criados anteriormente nunca foram tão jogados quanto agora e ainda mais com o apoio desta comunidade maravilhosa do Solo RPG me incentiva a criar mais e mais jogos pra gente!
Um abraço pra minha mesa de RPG dos Enrolados que está funcionando regularmente e por fim, minha amada noiva Paula Rodrigues que me apoia em TUDO e até já jogou comigo vários jogos Solos (que viraram DUO).
Vlw e fiquem com DEUS!


Eis aqui o site oficial onde voc~es podem achar todos os jogos citados, e muitas outras criações do Tiago: tdetudo3785.wixsite.com/jogadorsolo

Muito obrigado MESMO, Tiago!

quarta-feira, 31 de julho de 2019

The Dungeons of Hogwarts - Harry Potter Gameplay - Parte 21

E hoje nossa aventura foi em dose dupla!

Segue aqui a 21° parte da aventura. Estamos caminhando para o fim (serão 25 no total).



Recapitulando...

"Uma bruxa misteriosa e um homem ameaçador chamado Lorde Ravenlown aparecem no porão sombrio, para buscarem Thorson, Amanda e Katherine para um estranho ritual..."




Thorson: Eu quero saber se consigo esconder o relógio de Merlin em minhas vestes, sem que os bruxos das trevas vejam.

Mestre: Faça um teste de Intriga

Thorson: Rolo 1d20 = 1

Mestre: Assim que você faz mençao de se mexer, Lorde Ravenlown olha para você.


Lorde Ravenlown: Ora, o que temos aqui..parece que o ladrãozinho estava tentando roubar nosso Relogio...O que vc acha que devemos fazer com ele, Senhora Albany?

Senhora Albany: Deixe assim. logo mais ele não terá que se preocupar...(ela pega o Relogio, guardando em suas próprias vestes)

Próxima Cena

Mestre: Preciso decidir como é esse lugar. Usarei o Detail Check do Mythic Variations 2.
(o fator de Caos está em 6) Rolo 2d10 = 13-2 = 11 = Focus PC

Esclarecimentos: 44/63.Celebrar/Poder

Mestre: Vocês são conduzidos por tuneis apertados, escuros e úmidos até o que parece ser ao mesmo tempo uma grande masmorra e um grande salão de festa. Há muitas velas espalhadas, penduradas em candelabros de ouro brilhante. Apesar de escuro, o local é ricamente decorado.
Há mais pessoas aqui?
2d10 +4+2 = 5+5+4+2=16. Sim
Dado do Caos: 10

Há pessoas vestidas como se fosse para uma festa de gala, homens e mulheres. Usam máscaras similares as mascaras de carnaval em Veneza.

Amanda: Existem alunos entre essas pessoas?
2d10 + 2 = 6+8+2= 16. Sim
Dado do Caos: 2

Acontece um Evento Aleatório

Focus: 54 = Feche uma trama
Esclarecimentos: 82/70.Atividade/Extravagância

Mestre: Parece que é um evento que vem sendo esperado a muito, muito tempo.

A bruxa - Senhora Albany - se posiciona no centro e começa a falar:

"Meus irmãos nas artes das Trevas...finalmente o dia do ritual chegou. Nós que andávamos perdidos desde que o lorde das Trevas foi destituido...perseguidos...agora chegou nossa vez! Após muitos estudos e ajuda de alguns bravos alunos da escola de Hogwarts (e aponta para os 3 alunos da sonserina que haviam perseguido Josy nas masmorras), conseguimos todos os ingredientes para realizar o ritual.
Até mesmo o o sopro de um dragão negro dos Pântanos conseguimos - graças a Hogwarts, novamente. Com o Relógio de Merlin, tudo está pronto. Quando o ritual for terminado, com o sacrificio desses 3 alunos aqui, iremos dominar todas as criaturas não humanas! Dragões, Centauros...até mesmo dementadores estarão sob nosso comando, graças a esse ritual. Um ritual complexo, que só pode ser tentado um vez a cada milênio, sob situações muito, muito especiais. E dominaremos o mundo mágico. Mas esse será só o começo! Uma era onde até os trouxas se curvarão à nós começa hoje. Após o ritual, invadiremos Hogwarts. Libertaremos de uma vez o Dragão que habita as masmorras, e com os seres da Floresta Proibida, reduziremos tudo à pó"

E , a um gesto dela, um grande caldeirão é trazido magicamente até o centro do aposento. Ela começa a colocar vários ingredientes, e por último a coloca o Relógio de Merlin...

Após alguns segundos, o caldeirão começa a borbulhar, e estranhas criaturas feitas e uma fumaça esverdeada começam a surgir lá de dentro...

Bruxa: Agora chegou o momento!


Continua....

The Dungeons of Hogwarts - Harry Potter Gameplay - Parte 20

Bom, galera, dentro da cronologia oficial da saga, hoje, dia 31 de Julho, é aniversário de Harry Potter!
Uma data muito especial dentro de nossa cronologia.
Foi hoje, no longinquo ano de 1980, que nascia o Menino que Sobreviveu.
Foi nessa data, em 1991, que Hagrid apresentou o mundo bruxo ao menino!

Assim, numa data especial dessas, não poderiamos ficar sem continuar nossa história nesse mundo!



Hoje vou usar como oraculo o sistema de Probabilidades do sistema Aventuras Fantasticas, livro
básico!





Recapitulando...

"Thorson , Katherine e Amanda estão em um porão escuro em algum lugar sombrio e sinistro da Travessa do Tranco, lugar habitado e frequentado por bruxos de reputação duvidosa.
Eles foram para lá contra suas vontades, e é com espanto que percebem alguns fantasmas - aparentemente congelados - no fundo do aposento, segurando um objeto bem peculiar, que você consegue identificar como sendo o Relógio de Merlin.
Mas o barulho de chaves deixa algo claro: Alguém se aproxima...


Thorson, Amanda e Katherine pensam rápido.

Amanda: Vamos tentar ficar escondidos - atrás dos fantasmas, que não estão tão transparentes - e vamos atacar!

Thorson: mas eu não sei nenhum feitiço de ataque!

KAtherine (procurando algum objeto): Taque algo na cabeça da pessoa!

(Há algum objeto pesado e pequeno por ali? 3 em 6 de chances = 2. Sim
Tem um livro gigantesco e embolorado, muito pessado.)

Amanda: Eu vou fazer uma luz muito forte com minha varinha. E você, Katherine, que ja é do terceiro ano, ataca!

Pois bem, a porta começa a ser aberta.

(É Dumbledore que entra? 1 em 6 = 2 não)
(É MInerva? 1 em 6 = 6. Não)
(è Sibila Trelawney? 1 em 6 = 2 ,não)
(É o professor FLitwick? 1 em 6 = 6, não)

Uma mulher de aparência sinistra entra. É a mesma mulher que encurralou Amanda nas Dungeons.
Ela consegue perceber que os alunos estão escondidos?

Agora vou rolar um teste resistido.
Cada lado tirará 1d20 ( dado oficial do Broomstix), o melhor resultado vence.

Alunos: 12
Bruxa: 14

Brux: Ahhh, vocês estão aí , atrás dos fantasmas...certamente querem se juntar a eles! Mas não...voces tem um lugar especial hoje...a amiguinha de de vocês não veio...a Josy, acho que esse é o nome dela...mas vocês tem que servir.

Thorson: Eu jogo o livro nela!

(Rola 1d20 = 9. Um sucesso Marginal.)

A bruxa conjura um feitiço
1d20 + 6 = 9, um sucesso marginal. O Livro é simplesmente jogado de lado.

Bruxa: um livro não será o suficiente!

Katherine sai, e tenta acertar um feitiço- Expeliarmus - de desarmar na Bruxa.

Ela tomará o Atributo Magia da Bruxa como Penalidade (-6)
1d20 + 2 - 6 = 1. O feitiço sequer é conjurado!

A bruxa sorri!!!!

Ela aponta a varinha e grita: Petrificus totalus!

(1d20 + 6 = 18. Amanda cai no chão, dura como pedra.)


Outras pessoas se aproximam? 3 em 6 = Sim

Um homem em vestes negras, enorme, e sinistro.

Bruxa: Lorde Ravenlown, pode levá-los. Chegou a hora do ritual começar!


E tanto a bruxa como Lorde Ravenlown sorriem sinistramente...

Continua....

sexta-feira, 26 de julho de 2019

The Dungeons of Hogwarts - Harry Potter Gameplay - Parte 19

Bom, galera, chegamos na parte 19 de nossa Aventura em Hogwarts...a história começa a se encaminhar para um fim.
Hoje utilizarei o RPG solo MENTAL, na sua versão avançada".

Nossa Aventura recomeça com os alunos Thorson, Katherine e Amanda, dentro de um porão sinistro, escuro e espaçoso...

PALAVRA-CHAVE: SINISTRO



No RPG Mental, a palavra-chave determina o teor e clima da cena, bem como a quantidade de perguntas que guiarao as ações dos personagens. Serao 9 perguntas... perguntas cuja ultima letra façam parte da palavra--chave nos dao "sim" como resposta. Do contrário, a resposta é"nao"...

Pergunta número 1: Há mais pessoas no lugar?
R: sim. Conforme os olhos de nossos alunos se acostumam a escuridão, eles percebem que mais pessoas estão ali, ou ao menos o que parecem ser pessoas...

Pergunta número 2: São fantasmas?
R: sim. Um grupo de fantasmas está parado, observando os alunos, com expressões assustadas...

Thorson: ok...eu tento me aproximar deles, ao mesmo tempo em que pergunto a Katherine e Amanda se elas estão bem...

Amanda: eu estou bem...mas não me lembro como vim parar aqui...

Katherine: eu também não...mas a julgar pela minha fome, eu devo estar aqui a bastante tempo...

Thorson: você sumiu a 2 dias, Katherine...a escola inteira está atrás de voce...

Pergunta número 3: os fantasmas interagem de alguma forma?
R: Não. Eles permanecem inertes no fundo da sala.

Thorson: eu tento me aproximar, cautelosamente...

Pergunta número 4: há alguma coisa suspeita a nossa frente?
R: nao. Apenas alguns moveis velhos, uma estante de livros velhos de administração e objetos quebrados e empoeirados.

Katherine pergunta:

Pergunta número 5: tem alguma janela por aqui?
R: sim. Uma pequena janela cerca de 30 centímetros abaixo do teto.

Amanda: eu me ofereço o fazer "pezinho" para que a Katherine suba e tente ver através dela...

Pergunta número 6: estamos proximos de algumas ruas?
R: sim. Você (Katherine) olha pela janela e ve uma rua sinistra, sombria.

Katherine: minha nossa! Eu sei onde estamos...na Travessa do Tranco!

Thorson:
Pergunta numero 7:algum fantasma está segundo algum objeto misterioso?
R: sim. O fantasma de um homem vestido pomposamente está segurando o que parece ser um relógio antiqüíssimo.

Pergunta numero 8: E o relógio de Merlin?
R: Sim. Você se recorda de ter estudado sobre objetos mágicos famosos, e lembra de ter visto um desenho desse mesmo objeto. Também se lembra de ter lido que talvez o objeto estivesse guardado a 7 chaves na Torre dos Fantasmas.

Thorson: eu tento pegar o objeto...

Amanda pede silêncio.

Alguns barulhos.

Pergunta número 9: é barulho de água?
R: nao. É barulho de chaves....alguem se aproxima...



Continua...

domingo, 21 de julho de 2019

Entrevista com Jorge Valpaços, criador de "Arquivos Paranormais" (e mais um monte de jogo bacana!)

Bom, galera, é com imensa alegria que hoje apresento uma entrevista exclusivíssima com o autor e game designer Jorge dos Santos Valpaços, que lançou recentemente o RPG "Arquivos Paranormais" pela excelente editora AVEC. Já adianto aqui: o cara é fera e gente boa demais! 
Bom, é isso! Vou deixar de enrolação e vamos logo para a entrevista. 

A regra do blog continua: sem qualquer edição!

Olá, Tarcisio, tudo bom por aqui! 
Fico honrado pelo convite para essa troca. Vamos às questões!
Bom , vamos lá então:


1-Primeiramente, Jorge, vamos começar falando sobre o livro “Arquivos Paranormais”. Acabei de encomendar o meu exemplar e estou bastante ansioso para ler e jogar. Como você apresentaria o “Arquivos Paranormais” para alguém que ainda não tenha ouvido falar sobre ele?

Nossa! Direto ao ponto logo na primeira pergunta! Aproveito para novamente agradecer a oportunidade para essa troca! Eu vou responder as questões como um jogo, tudo bem? Em alguns trechos serei mais poético, noutros mais técnico e em alguns um pouco emotivo. Na intersecção, quem sabe, eu me (des)encontrarei.
Arquivos Paranormais é um jogo sobre investigação de fenômenos insólitos. Alienígenas, espíritos, demônios, toda sorte de situações sobrenaturais são a fonte de conflito e mistério para este jogo. Mas você não é uma personagem qualquer. Em Arquivos Paranormais você é um Investigador treinado, um membro de uma Agência que mantém os fenômenos longe dos olhos das pessoas e em segurança. É um rpg que recompensa os jogadores a lidar com o insólito e buscar as pistas. Se você curte histórias de investigação sobrenatural, certamente vai gostar. Mas o livro também é um manual de recrutamento real, então quem o tiver passará a enxergar a realidade com outros olhos... Pelo menos é o que dizem...  


2. Como se deu a criação do “Arquivos Paranormais”? Foi uma ideia que surgiu de repente, ou foi algo que foi amadurecendo? Da ideia inicial até o livro saindo da gráfica, quanto tempo se passou?
Eu sou uma manteiga derretida, Tarcisio. Pensar que Arquivos Paranormais é meu terceiro título editorial publicado é uma coisa que mexe muito comigo. E reconstruir esta trajetória - não nostálgica, mas de aprendizagens sobretudo com as derrotas - é algo que me enternece. Mas vamos à resposta em si.
Penso que nada que fazemos surge de repente. Somos tomados por várias referências, sopros criativos, idas e vindas. Talvez quando nos dedicamos para produzir que sistematizamos os processos poéticos incessantes que temos, mas insistimos em negligenciar. Arquivos Paranormais começou nos anos 90, nas minhas partidas de vários RPGs diferentes. Eu realmente curto muito fantasia urbana e inúmeras anotações de campanhas antigas se tornaram parte do projeto. Claro, recebendo referências contemporâneas, tanto na temática quanto nos procedimentos mecânicos do jogo. 
O estopim da escrita se deu com a troca com Bruno Prosaiko e, quando me peguei, já estava começando a criar o AP lidando com outras possibilidades para sistema L'Aventure (de Déloyal, Ceifadores e Encantos). Então dá pra dizer que foram mais de dez anos de esboços e idas e vindas, até a publicação. Sem contar o ano inteiro de testes que ele foi submetido. Foram uns 2 anos de efetivo trabalho até a conclusão do projeto, mas certamente mais de 10 anos de relações e afetações diacrônicas que tornaram Arquivos Paranormais possível. E, se é possível, é um risco a ser posto em jogo. Por isso, segui.




3. Você criou outros jogos de RPG, como Pesadelos Terriveis. Poderia falar um pouco sobre seus outros trabalhos e criações?
Pelo Lampião meu primeiro título é Sarjeta, Sereno e Solidão, um dos jogos mais intensos que escrevi. Nele você é uma pessoa sem teto que deve sobreviver em um coletivo de pessoas a margem da sociedade. Logo após escrevi Déloyal com Rafão Araújo, um jogo sobre resistência e liberdade que tenho uma relação visceral. Pesadelos Terríveis é um jogo de terror psicológico em que você interpreta um sonhador, alguém que tem acesso a uma realidade paralela onde os entidades se alimentam dos medos humanos. SeanchaS foi escrito em parceria com Jefferson Neves e é um jogo sobre mito, identidade e história. SeanchaS é um metajogo sobre RPGs e uma homenagem à tradição oral de contar histórias e dar sentido ao presente. Asas da Vizinhança é um jogo que se sustenta sobre a poesia e o lirismo, onde aves do bairro lidam com dramas humanos. E também temos o Pacha, possivelmente o meu jogo mais desafiador e complexo de criar. Pacha é um RPG transumanista sobre filosofias andinas. Ufa, esses são os principais. Há outros e alguns ainda por vir, mas realmente desejo que os leitores conheçam esses jogos. Você pode conhecer todos estes jogos no blog do Lampião: https://lampiaogamestudio.wordpress.com


4. Agora uma pergunta básica, Jorge: Como foi sua entrada no mundo do RPG, enquanto jogador? E em que momento você pensou: “Vou escrever meus próprios jogos!”?
Comecei a jogar como uma criança periférica no início dos anos 90. Não sabia de nada, não tinha lido sobre nada, nem ao menos sabia onde os dados estranhos eram comprados. Mas o grupo do bairro foi jogando, a gente foi conhecendo novos jogos, criando um tanto. E eu comecei a estudar algumas coisas, pensar na caixa preta se abrindo e guardando minhas ideias e anotações. Acho que essa posição de "não saber de nada e ir experimentando e aprendendo" é algo que tento manter até hoje, sobretudo quando pego ótimas iniciativas autorais brasileiras.
Contudo, sendo bem objetivo: até os anos 2010 não me imaginava publicando. Eu era apenas mais um jogador que fazias as suas coisas para os amigos e só. A Internet e o contato sobretudo com autores nacionais por meio de blogs e demais produções foi algo que me incentivou muito. É por isso que até hoje eu sou muito grato a quem me inspirou e tento sempre que possível divulgar e apoiar os autores daqui. É sério: há material simplesmente fantástico que se produz no Brasil, e me sinto feliz pela partilha com tanta gente bacana que fomenta os jogos.
Mas foi o coletivo Lampião Game Studio que me forneceu força, apoio mútuo e o empurrão para escrever e publicar, algo que se dá em paralelo a estudos e reflexões. Quando o Rafão chegou e falou: Bora fazer Déloyal acontecer uma chave virou. Tinha jogos gratuitos publicados e isso era bem legal, mas quando o escopo sobe um pouco você precisa se reorganizar. Trouxe muito do conhecimento de gerenciamento de projeto e gestão de processos para minha atividade criativa e felizmente isto começou a fazer a produção engrenar. Mas este caráter técnico não se distancia do componente que talvez seja o meu combustível interno para a criação de jogos.
Em uma perspectiva depois de anos, posso dizer que eu me expresso por meio dos meus jogos. Ali há sangue, dor, sorriso, fragilidade e lacunas. É por isso que muito do que há nos meus jogos se dá pela dúvida, pelo risco, pelo processo e pela experimentação. Há ensaios sobre jogos em todos meus jogos e penso que tensionar a linguagem lúdica é uma das minhas metas. Mas meus jogos também são minha voz, corpo e convite a entrega. Hoje criar e jogar é parte do que estou a ser: em jogo.






5. Quais os RPGs que você mais jogou na vida? Qual o seu favorito?
O jogo que mais joguei na minha vida será o próximo.
A esquiva da nostalgia é um percurso agradável.
Fica o convite a todos para o trilhar.

Quanto ao jogo favorito, troco o ser pelo estar, tudo bem? Hoje nesta posição sempre fluida estão Mighty Blade, 
Este Corpo Mortal, Fragmentos, D
o: Pilgrims of the flying temple, Terra Devastada, Chopstick, Swashbucklers of the 7 Skies, Belregard, Jueju, Perfect Unrevised, Thordezilhas: Sabres e Caravelas, Kingdom of Nothing, Áureos, Scroll 2.0, Movin'On, Hillfolk e Golden Sky Stories. Mas não se aflija! Amanhã a lista é outra. Afinal, o caminho também é outro, não é mesmo.


6.Qual jogo (ou jogos) de outro autor você citaria como uma verdadeira obra prima de game design e escrita?
Nossa, complicado! Permita-me desusar o termo obra prima, não combina muito bem com esta roupa. Sabe como é, não sou muito bom em moda, mas o tema da entrevista destoa tanto deste conceito que ficaria um pouco estranho, não é mesmo? Mas vou pular uma linha (é parágrafo que chama, né?) para voltar a resposta.
Mas acho super interessante pensar em jogos com uma boa proposta e escrita! Destaco a escrita de Belregard por muitos motivos, e quanto a coerência das regras e mecânicas de A Fita me captura, como a de Jueju, Meu Brinquedo Preferido e Áureos. De títulos estrangeiros destaco Fragmentos: Director's Cut e Scroll 2.0.


7. Além do RPG , quais outras mídias você consome/se inspira? O que você recomendaria para alguém, como eu, que está prestes a jogar “Arquivos Paranormais”, para entrar no clima?
Eu curto muito literatura, quadrinhos e animações! Inspirações? Arquivo X, Caça Fantasmas, Silent Moebius, Fringe, MiB, UnGo e Hellboy são bons títulos para entrar no clima de Arquivos Paranormais! Ah, é claro, a Fundação SCP, revistas de ufologia, parapsicologia e aquele jornal sensacionalista que encontra coisas "do outro mundo" a cada semana são ótimas fontes de fenômenos para os Casos de Arquivos Paranormais. Ok... tem aqueles canais do Youtube com teorias conspiratórias e até documentários de canais de História que tratam de alienígenas.


8. Você está na cena do RPG há bastante tempo...como você analisa o mercado nacional atualmente?
Uma questão um tanto complicada. Não tenho como avaliar com a mesma precisão outras posições no mercado nacional de jogos para além da minha posição enquanto criador de jogos autorais. Mas tentarei fornecer alguns indícios do meu horizonte de expectativas de acordo com meu espaço de experiência. O mercado nacional de jogos está em expansão e possui franco potencial de crescimento. Contudo, nossa conjuntura socioeconômica aponta para o achatamento do mercado consumidor acompanhando movimentos de concentração do mesmo. Isto, em conjunto ao panorama geopolítico e as tendências comerciais que se apresentam tornam a produção independente e autoral desafiadora. Ainda que haja ânimo com os ventos presentes, ignorar a posição periférica que nosso país se encontra e o jogo que é jogado pelo mercado é no mínimo ingênuo. É por este motivo que minha ênfase se encontra no apoio da cena autoral e no fomento de novos leitores/jogadores, fugindo da bolha de consumo do rpg. Por esta razão que busco me articular a iniciativas culturais diversas. Jogo é linguagem, ponte e contato. Jogar é se por em jogo, se abrir. E por isso tento incentivar e estar aberto a boas iniciativas, pois o jogo se faz na troca. 
9. Qual tema você gostaria de abordar em um RPG seu e que ainda não teve a chance?
O ato de matar alguém e suas árduas consequências.
Mas em breve Ceifadores será publicado.
O que vai acontecer depois disso?
A interrogação é a resposta.

10. Jorge, você é professor, certo? De que forma você acha que o RPG pode ser utilizado como ferramenta pelos professores dentro das instituições de ensino (pergunto isso pois tb sou professor e uso muito junto aos meus alunos)?
Sim, sou professor! O RPG é um modo de jogar (divagação: na literatura há um debate que desloca o termo gênero literário para modo literário, em virtude não das estruturas internas, mas da experiência de apropriação de sentidos mobilizada por um modo específico de concatenamento de ideias. Trago a inquietação/reflexão para o estudo de jogos e ensaio que o RPG hoje não é um jogo ou mesmo um tipo de jogo, mas um modo de jogar, de interfacear, de engajar com experiências lúdicas, sendo este modo disperso em diferentes mídias e linguagens, inclusive extralúdicas) potente para o aprendizado. Tenho algumas críticas a instrumentalização de jogos os descontextualizando, mas isso não remove a relevância dos jogos (linguagem/produto/expressão/objeto) para os contextos formais (e também informais). Durante o século XX o audiovisual passou por um caminho semelhante até ser utilizado com eficiência em contextos escolares (ensino formal típico), e observo a sistematização dos saberes em torno da pedagogia lúdica extremamente positivos. Ocorre que o jogo, e sobretudo o RPG é potente para pedagogias ativas, o que é bastante interessante. Por exemplo, tivemos a última edição do International Journal of Role-Playing dedicada a Role-Playing e simulação na educação, sendo possível verificar diferentes aplicações para o RPG nas salas de aula.
Sendo mais objetivo, penso em 4 abordagens discretas para jogos em contextos educativos. A primeira é tomar o jogo como objeto a ser analisado. No lugar de (apenas) jogar o jogo, o mesmo se apresenta como um tópico para debate e pesquisa. A segunda é articular o jogo com conteúdos programáticos, o que pode escorregar o erro de tomar o jogo apenas e somente como uma ferramenta, esgotando seu sentido. A terceira não se trata do jogar o jogo, mas da criação de jogos com os alunos, relacionando os conteúdos com metas de design de jogos. E a quarta, simplesmente o jogar, fruir, recrear. A atividade de recreação é componente da educação e cada vez menos temos essa ênfase. Nossa visão da educação é por demais "orientada a resultados", reduzindo a potencialidade brincante do devir humano. Algo que perpassa as 4 abordagens: o educador deve gostar de jogos e conhecê-los, dedicar-se a decodificá-los. Lembra que comentei sobre o audiovisual no ensino e sua progressão para seus usos contextualizados? Se o educador não conhece a linguagem fílmica e não contextualiza um filme, apenas passa ele em sala de aula pra "encher linguiça". Nem ao menos é uma atividade prazerosa, mas é desqualificada pelos alunos como "dia do filme em sala". E para fugir de termos o "dia do jogo em sala", penso que é interessante reposicionar as relações de poder em sala de aula e a própria dinâmica do jogo escolar. 
Jogo escolar? Sim, o aluno sabe que joga um RPG bem desleal ao pisar no colégio. Tem pontos, mecanismos de recompensa e punição, interpretação e até ficha de personagem. E quando a gente leva jogos para o colégio e as ações são significativas, lentamente começamos a mexer com o "grande jogo" que acontece na escola. 



11. Se você estivesse em um navio que naufragou em uma ilha e tivesse que jogar um único RPG pelo resto de sua vida, qual RPG seria?
Assumindo que há outros sobreviventes, me reuniria a eles a proporia a produção de um jogo. Jogaríamos ele, o jogo do fim das nossas vidas.
Assumindo que estou sozinho na ilha, provavelmente os dias seriam poucos.
12. Esse é o espaço da liberdade total: pode deixar aqui as últimas palavras, agradecimentos, criticas, receitas de bolo...o que quiser, o espaço é seu!
Eu não vou deixar minhas últimas palavras aqui porque já viu né? Vai que bato as botas depois de escrever. Longe de mim que estas sejam as minhas últimas palavras! Sério. Eu agradeço muito pelo espaço para essa troca, para poder conversar um tanto com vocês (sim, eu tô falando com você, com você aí!). Não sou muito de me expressar em redes sociais (mas deixo meus fragmentos um tanto complicados de montar), prefiro mais esta troca mais densa e lenta (porém, possivelmente pouco lida). Peço perdão por alguns devaneios e ensaios que possam ter desviado um tanto algumas questões. Ocorre que aproveito as perguntas para pensar alternativamente em questões, para exercitar o meu próprio contraditório e possibilitar aberturas para futuros diálogos. Sinceramente espero que a troca tenha sido tão gratificante quanto foi para mim. Ah! É claro, deixo nas próximas linhas um mimo com sabor de quero mais.
BOLO DE AIPIM
Ingredientes
1 quilo de aipim
3 xícaras de açúcar
100g de manteiga
200 ml de leite de coco
100g de coco ralado
1 pitada de sal
1 xícara de leite
3 ovos

Modo de fazer
1. Descasque o aipim, lave-o sob água corrente e os rale.
2. Remova o excesso de água do aipim.
3. Coloque tudo no liquidificador com o leite, o leite de coco e a manteiga.
4. Bata em velocidade média por 1 minuto.
5. Acrescente o açúcar, o coco ralado e o sal e bata mais um pouco.
6. Despeje o creme em uma forma e untada asse em forno alto pré-aquecido por uns 45 minutos ou até que colocando um palito ele saia limpo.
7. Espere esfriar um pouquinho e coma de montão (porque você gosta da expressão "de montão").
8. Dica do Valpa: sirva com mostarda. Isso mesmo, mostarda amarela. Mostardinha do amor.
Um graaaande abraço!!!


A Biblioteca Seráfica - Mais Shadowlands no Blog!

Galera, uma rápida aventura solo esses dias na minha campanha  de Mighty Blade nas Shadowlands me presenteou com mais esse cenário, uma bibl...