terça-feira, 5 de novembro de 2019

Por que eu crio jogos? –Parte 1


Por que eu crio jogos? –Parte 1



Hoje quero escrever um pouco sobre isso. Por que eu insisto em gastar uma boa parte do meu tempo livre criando jogos? Excelente pergunta!

Primeiramente, eu gostaria de dizer que não me considero, nem nunca me considerei um game designer.

Seria um insulto aos verdadeiros Game designers dizer que o que eu faço é game design. A meu ver, game design de verdade inclui pensar e repensar mecânicas, analisa-las metodicamente, refletir sobre o tipo de experiência que se quer passar, ver e testar se as regras desenvolvidas estão de acordo com isso...
O que eu faço não tem nada disso!kkkkkkkkkkk!

90% porcento do que eu faço e produzo não é testado antes de lançar, não tem reflexão, e mesmo depois, quando descubro que uma coisa ou outra não encaixa muito bem, eu simplesmente deixo do jeito que está mesmo. Quase todos os meus jogos são criados em uma noite insone, e do jeito que saem , costumam ficar.

Assim, eu preciso dizer que crio jogos mas estou longe de ser um game designer.

Eu simplesmente tenho vontade de jogar jogos que ainda não foram criados.

Ou, mais comumente, eu crio jogos por que eu quero ter certas experiências que de outra forma eu ficaria apenas na vontade.

Por exemplo, meu jogo mais recente foi o “A Chave de Portal”, um LARP solo no mundo de Harry Potter.

Criei única e exclusivamente por que eu adoraria participar dos LARPs “oficiais” de Harry Potter, como o College of Wizardry na Europa ou mesmo nosso “Escola de Magia e Bruxaria do Brasil”, em Campos do Jordão, mas eu simplesmente não tenho condições financeiras de realizar esse sonho.

Aí eu tenho duas opções: ou fico só sonhando com isso, ou eu tento fazer do meu jeito.
Quando essa duvida esbarra em minha vida – e isso acontece com muita regularidade – eu SEMPRE vou escolher dar um jeito, do meu jeito.

Continua...

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Entrevista com Luciano Bastos, um exemplo de militância e Perseverança no meio!

Bom, galera, hoje apresento a vocês uma entrevista muito especial, com o grande Luciano Bastos.



O Luciano vem a muito tempo trabalhando com jogos, através de estudos acadêmicos, oficinas, criação, trabalhos pedagógicos em escolas, e até mesmo um canal muito bacana no youtube.
Aliás, foi justamente o canal do Luciano que anos atrás despertou em mim o desejo de voltar a pesquisar RPG, busca essa que resultou em tudo que temos hoje.

Bom, sem mais enrolação, segue aqui esse grande momento na história do nosso blog! Como sempre, sem edição nenhuma!

Olá, Luciano, tudo bem contigo?

Tudo tranquilo camarada! Na infinita correria de fim de ano, que você conhece, para entregar notas, corrigir testes, provas e trabalhos e entregar material do mestrado.

Desculpa a demora em enviar essas perguntas, também estou um pouco enrolado com a faculdade, mês de outubro/novembro é fogo!

Imagino! Sempre!

Cara, primeiramente gostaria de agradecer você; foi um vídeo seu em que você apresentava sua coleção de livros-jogos que despertou em mim o desejo de voltar a jogar RPG, em uma época em que fiquei quase 4 anos longe do hobby!
Vi a sua coleção e pensei: “Gente do céu, eu preciso disso aí!”

Nossa, que bacana! Fico muito feliz e ainda mais feliz por saber que contribuí de alguma forma! 

Aqui estão as perguntas, sinta-se livre para responder do jeito que quiser, e quando quiser!

Ok! Segue então!

1-Você tem trabalhado com oficinas/criação de jogos, jogos pedagógicos e temas relacionados...poderia nos contar um pouco mais sobre seu trabalho?

Sim. Iniciei a pesquisa em 2005. A partir daí fui apresentando palestras e falas em vários espaços como centros culturais, escolas, universidades e eventos, sempre sobre o RPG e o jogo na cultura.
A partir de 2013 me concentrei construir uma base conceitual mais concreta com um aprofundamento teórico auxiliado pela graduação. Terminei a faculdade em 2015 e iniciei um ciclo prático de utilização de jogos como ferramenta pedagógica (queria ter mais propriedade ao falar sobre a ação daquilo que eu apresentava em teoria). Passei a lecionar História e Filosofia para o ensino médio na escola em que trabalho até hoje.

Nesse ponto, quis aprofundar ainda mais a pesquisa na educação lúdica, foi então que comecei a procurar, na plataforma Lattes, orientadores para um possível mestrado. Descobri então o trabalho da Profa. Dra. Taís Silva, que lecionava e coordenava a pós-graduação stricto sensu no PPFEN Programa de Pós-graduação em Filosofia e Ensino do CEFET RJ, vi que em seu currículo existiam vários trabalhos relacionados ao jogo na educação, inclusive um curso de extensão com tema, Jogos e Filosofia, onde os alunos criavam seus próprios jogos educacionais. Apresentei então o esboço do meu projeto, fui aluno ouvinte, fiz o concurso para ingressar na instituição como aluno mestrando, e graças aos deuses dos Jogos, concluo o mestrado em breve.

 Sou membro do grupo de Pesquisa com fomento do CNPQ, Jogos Filosóficos, abordagens didáticas para o ensino de filosofia e sou colaborador do Curso de Extensão Filosofia e Jogos do CEFET RJ, também sou cocriador e co-organizador do Simpósio Fluminense de Jogos e Educação e Membro do Ludus Magistérium um grupo de pesquisa multitemático de jogos e educação que envolve pesquisadores de todo o país.

Por coincidência eu trabalhava em paralelo, meio período, em um gráfica chamada Power Image. Lá eu e o Dirtor Marcio Carneiro criaríamos a Startup The Game Maker, uma fábrica de jogos e editora que começou a fazer a produção e publicações de jogos de mesa (RPGs, Jogos de Tabuleiro e Wargames) através de uma plataforma on demand.

Bem... Juntando "alhos com bugalhos" o resultado não poderia ser outro. Hoje apresento uma oficina de nível acadêmico (em função da minha pesquisa) e técnico (por conta do conhecimento do mercado e das técnicas de produção de jogos) com teoria, vivência e prática na produção de jogos educacionais, muitas delas para Professores, Mestres e Doutores de diversas instituições de ensino como UERJ, UFF, Fiocruz, ISERJ, CEFET entre outras. Além disso, participo de ações em escolas levando os jogos comerciais e apresentando possibilidades e potencialidades dos jogos para fins educacionais ou recreacionais.

Tenho três jogos educacionais publicados em parceria com outros educadores e trabalho na produção de mais dois, além de um RPG comercial com previsão de lançamento para 2020.

2-Seus estudos acadêmicos são relacionados ao tema, Luciano?

Sim. Na minha pesquisa venho dialogando com filósofos da cultura, sociólogos, game designers, psicopedagogos entre outros pensadores e educadores, sempre com o tema dos jogos. Minha pesquisa hoje está concentrada na hermenêutica do jogo de RPG enquanto ferramenta para o ensino de filosofia, dadas as suas qualidades dialógicas e narrativas conceituais. Repensar o mundo através do ficcional, como diria Tolkien, é falar de coisas sérias através do fantástico. Pensadores como Walter Benjamin, Vygotsky, Huizinga, Caillois, Vial, Katie Sallen e Erick Zimmerman, Rodrigues, Pavão, me ajudam a criar contornos sobre a definição do que é o jogo a cultura do jogo e de suas possibilidades pedagógica.

3-Sentimos muita falta do seu canal! Alguma chance de termos vídeos do Luciano novamente?

Sim. Parei de fazer vídeo por cauda justamente dessa loucura da pesquisa do mestrado e do trabalho na The Game Maker. Em 2020 volto a fazer vídeos para o Dungeon 90.

4-Como foi que você conheceu o RPG?

Nossa, que viagem no tempo!
Sou natural da Bahia, vivi em Salvador até 1988. Entre 1987 e 1988 um colega de escola me apresentou o livro Aventuras Fantásticas: A Cidadela do Caos de Steve Jackson e Ian Livingstone da editora Verbo de Portugal, (o pai dele viajava para lá com certa frequência), fui fisgado na hora pelas ilustrações, pelo tema, pela possibilidade de enfrentar monstros mágicos, encontrar tesouros e conhecer outros mundos fantásticos.

Em 1988 me mudei para Santos em SP e entre 1989 e 1991 comecei a jogar AD&D (a 2° edição de AD&D em inglês tinha acabado ser lançada [players] e o Real tinha acabado de entrar em vigor no país, Santos era um dos maiores portos da América Latina. Bem, essa soma de fatores gerou uma enxurrada de importados nas livrarias) sei por intermédio de amigos e parentes e o registro documental que esse era um fenômeno nas grandes capitais também.

Em Santos existia a Banca do Paulinho (que iniciou muito marmanjo da minha geração na cidade) e dois "templos nerds" do RPG. Um era a ARPGS Associação de RPG de Santos (que alguns também chamavam de ASRPG Associação Santista de RPG) que ficava no bairro do Gonzaga e a loja Universo Paralelo que ficava no Embaré, Canal 5, nesses dois points fui "iniciado" em jogos como Warhammer Fantasy, Call of Cthulhu, Traveller, Pendragom, Earth Dawn, Shadowrun, Cyberpunk 2020, "MUITO(s) GURPS", AD&D, Vampiro Lobisomem, Everway, Amber, Battletech (MechWarrior), Immortal, Kult, vários Wargames, card games...

5-Quais jogos você mais curte atualmente? E qual o RPG que você mais jogou na vida?

Bem, eu soou um cara meio "do contra" que acredita realmente que RPG não tem data de validade. Não navego na onda do mercado, mas na minhas inspirações e curiosidades. Atualmente eu tenho relido e estudado publicações noventistas, principalmente o trabalho do Jonathan Tweet (Over The Edge, Everway, 13° Era, que considero um gênio visionário) e do John Wick (House of the Blooded), além de jogos indie que eu possa utilizar em sala de aula, a exemplo do BlueWay, The Forest, Este Corpo Mortal, A Bandeira do Elefante e da Arara.

Mas para não negar completamente esse mercado cheio de coisas incríveis que são publicadas hoje, recentemente comprei o Call of Cthulhu 7° edição, publicado pela Editora Neworder e estou apaixonado também. 

Coleciono material de COC de 1996 e essa edição está de tirar o fôlego, não só pela excelente qualidade de produção gráfica (conheço bem esse tipo de trabalho) como pela tradução e a própria estrutura didática de apresentação das regras, cenários e mitologia do jogo). Os jogos da Lampião Game Studio também figuram entre as compras mais recentes, como Arquivos Paranormais e Pesadelos Terríveis, gosto muito da sensibilidade e simplicidade do trabalho do Jorge Valpaços.

O RPG que eu mais joguei na vida foi o AD&D, disparado, foi o único RPG que mantive campanhas semanais por mais de 2 anos aqui no Rio de janeiro com meu primeiro grupo carioca. Tenho dezenas de livros, caixas e suplementos desse RPG.

6-Quais jogos você ainda não jogou, mas gostaria (não falo só de RPG, mas de jogos em geral)?

Bem. Eu costumo comprar tudo que sai de Call of Cthulhu ou do universo dos Mitos de Cthulhu (quadrinhos, livros, jogos de PC). Não se trata de consumismo é colecionismo mesmo, e apesar de ter as edições anteriores do board game Arkham Horror, eu ainda não joguei a ultima edição publicada no Brasil pela Galápagos e gostaria muito de conhecer.

Um jogo de RPG que eu quero muito, mas muito mesmo conhecer e jogar é o inacreditável Invisible Sun do Monte Cook. Eu particularmente não gosto dos jogos do Cook, mas esse está de parabéns, gostaria muito mesmo de jogar e conhecer um jogo com conceitos tão inovadores.
Outro RPG que eu gostaria de experimentar por sua causa Tarcísio é o Mythic, mas esse eu creio que consigo dar uma lida nessas férias, já comprei o PDF. :-D

Eu jogo também Wargames, e tive um relato de um amigo que me deixou muito curioso e louco para conhecer o SPECTRE: OPERATIONS da Spectre Miniatures, o jogo mistura narrativa e wargame nas regras e isso é fantástico e inovador para esse tipo de jogo, quero muito ter essa experiência, geralmente os Wargames são pesados, com regras e complicações diversas (com exceção dos jogos da Ganesha Games e o DBA), mas esse realmente chamou minha atenção.

7-Além do RPG e jogos em geral, em quais outras mídias você busca inspiração?

Hoje meu diálogo com os alunos em sala de aula me obriga, de forma muito prazerosa, a conhecer vários dispositivos culturais, isso inclui séries de TV, quadrinhos, musica, filmes e desenhos animados, além de jogos de PC e console. Mas pessoalmente prefiro temas fantásticos, sombrios e sobrenaturais (de comum já basta a vida!) tenho lido quadrinhos nacionais, visto séries intrigantes e maravilhosas como Penny Dreadful, Carnival Row, Deuses Americanos, Dirk Gently, Crônicas de Shanara (Li bastante coisa do Brooks) e na literatura Anne Rice - Merrick, Joe Hill - Estrada da Noite, além dos já citados RPGs noventistas. Tenho lido também muito material sobre Mitologia por causa dos meus RPGs.

8-Como você vê o momento atual do RPG no Brasil?

Incrível. É importante entender que passamos por uma das maiores recessões dos últimos 30 anos. Nesse contexto, vemos a abertura de dezenas de editoras, centenas de publicações - seja em plataformas digitais como a Dungeonist e a The Game Maker, opu nas prateleiras das lojas - vendendo jogos de RPG de todos os tipos, assim como financiamentos muito bem sucedidos como o do jogo Tormenta.

Em paralelo as redes de vendas online como a Amazon, permitem a aquisição de livros importados com valores bem razoáveis e a venda de PDFs  (antes um crime de pirataria), agora permite que toda uma nova geração de jogadores - literalmente - conheça jogos da épocas em que eles nem eram nascidos.  Isso e a revolução digital criada por programas de edição gráfica que permitiu que uma legião de escritores amadores publiquem suas idéias em formato digital com acabamento semi-profissional.

Minha única tristeza é que o ineditismo do RPG acabou. Na "era de ouro" ou "boom do RPG" no Brasil o impacto cultural do jogo foi maior, apesar de sua popularidade e disponibilidade serem menores, mas isso é papo para uma outra hora, quando falarmos da História do RPG...
Outro fenômeno que demonstra a proliferam a abrangência do hobby são os grupos de FaceBook sobre RPG, como o Solo RPG que você administra. Da ultima vez que fiz um mapeamento para divulgação do meu RPG, eram mais de 60 grupos de RPG no face no só no Brasil.
9- Uma curiosidade : Você ainda encontra tempo de jogar aquela sua coleção incrível de livros-jogos?
Sim. Tenho um ritual diário com a minha esposa de ler sempre alguma coisa, uma hora ou duas antes de dormir. Isso inclui essa batelada de coisa sobre a qual falo na entrevista. Hoje, por exemplo, estou jogando Exércitos da Morte  e já sei que vou jogar Fortaleza do Pesadelo em seguida. Trinta anos depois e os livros jogos Aventuras Fantásticas continuam a ser uma diversão e ótima maneira de passar o tempo! A Editora Jambô ainda contribui com novos livros da série que não haviam sido lançados em PT.

10- Vamos falar de música: você pode citar alguma banda que te faça lembrar de algum RPG? (por exemplo, SistersofMercy me faz lembrar de Vampiro a Máscara). Pode citar mais de um se quiser!

O som etéreo e mágico da World Music e da na Nova Era (nossa, muito década de 90!) me lembram Jogos sobre magia, ocultismo e mitologia como, Nephilin, Kult, Witchcraft, Era do Caos, Unknown Armies, ou seja, o som de Enya, Loreena McKennitt, Black Moors Night, Enigma, ERA, Deep Forest.

Já bandas como Nine Inch Nails, Mission UK, Killing Joke, Dead Can Dance, Philds of Nephilin, Gardem of Delight me lembram jogos como Vampiro, Wraith, Este Corpo Mortal, Over the Edge.

Cyberpunk, Shadowrun, Mago Ascensão, eram inspirados para mim pelo som do Filter, Prodigy, Chemical Brothers, Crystal Method, Lords of Acid, Cold Storage.

As referências são infinitas. Eu produzia CDs de trilha sonora para os jogos que eu narrava no Saia da Masmorra lá eu assinava como Luciano Tolkien, segue o link de alguns deles:




11- Aqui, Luciano, o espaço é todo seu, use do jeito que quiser: divulgue seu trabalho, ou deixe um recado, ou coloque uma receita de macarrão que vem sendo passada na família há séculos...befree, myfriend!

Queria agradecer pela oportunidade de falar um pouco sobre essa trajetória fantástica e de poder compartilhar contigo e com os leitores experiências e trabalhos.

Meu trabalho como designer de jogos educacionais pode ser conhecido a acessado e comprado no link:


Estou desenvolvendo dois jogos de RPG com temática sobrenatural e fantasia urbana. Um deles e o projeto Arché (esse demora ainda para sair) e o outro é o Órama RPG, um RPG de horror no Brasil contemporâneo mítico que utiliza cartas do Baralho Cigano ou Lenormand em vez de dados. Trata-se de um sistema qualitativo em vez de quantitativo inspirado por trabalhos como Everway, Castelo Falkenstein e Amber. Segue o link da página do Face para quem quiser conhecer:


E mais uma vez muito obrigado!

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

The Dungeons of Hogwarts - Harry Potter Gameplay - Parte 25 - Parte Final!



Bom, galera, finalmente chegamos ao fim da primeira campanha no universo mágico de Harry Potter!
Foram 3 meses de aventuras, 25 sessões, mais de 10 simuladores de Mestre.

Gostei demais dessa aventura!

Além de testar e aprovar o RPG “Broomstix” – que sistema fodaaaaaaaaa – serviu para treinar a construção de histórias dentro de universos ficcionais já estabelecidos.

Já havia feito isso no gameplay de “Lá e de Volta Outra Vez”, no mundo de Senhor dos Anéis, mas agora foi tudo bem mais desenvolvido.

A aventura não parará por aqui; Thorson, Josy, Amanda e Katherine ainda viverão muitas novas aventuras, e em breve estarão de volta, encarando novos desafios...



Do Diário de Thorson Pockesmith, aluno do primeiro ano da Lufa lufa


“Ufa, nem acredito que estou aqui, novamente, no salão comunal da Lufa-Lufa! Levou quase 2 dias para parar de tremer depois que a professora Trelawney nos trouxe de volta para Hogwarts. Katherine, Josy e Amanda parecem ter interpretado toda a história de forma diferente – no mesmo dia, no jantar, vi as 3 conversando animadamente sobre tudo que havíamos passado.
Logicamente, devemos manter a história em segredo; o próprio Dumbledore nos pediu que não contássemos a ninguém o que havia acontecido. Ele nos parabenizou pela coragem e pelos serviços prestados à escola – disse que fomos extremamente corajosos. Mas também nos recomendou a pararmos com nossas incursões pelas dungeons, a fim de evitarmos perigos desnecessários.
Eu particularmente acredito que ela está certíssimo! Que loucura, andarmos sozinhos por locais milenares, sem saber o que lá se esconde (bom, agora sabemos que até um Dragão vive por lá). No entanto, as meninas parecem menos impressionados, e já ouvi mais de uma vez elas combinando uma possível volta aos corredores das masmorras.
Algumas coisas, no entanto, ficaram inexplicadas. Perguntei ao Diretor, mas ele disse que certas coisas ficam melhores quando a deixamos de lado.
Mas...
-Que criatura era aquela cujos olhos eu avistei nos corredores, no dia em que encontrei o livro e toda aventura começou?
-O que aconteceu com os alunos da Sonserina que ajudaram os bruxos das Trevas a entrarem no Castelo? Eles simplesmente sumiram depois do combate na Travessa do Tranco...
-Esses eventos tem alguma relação com toda essa história de Câmara Secreta que tem corrido de boca em boca entre os alunos?
Enfim, estamos a salvo. Agora só quero saber de estudar, e passar minhas horas vagas na biblioteca...”


segunda-feira, 14 de outubro de 2019

The Dungeons of Hogwarts - Harry Potter Gameplay - Parte 24 - Penúltima parte



Nessa penúltima parte do gameplay, usarei apenas o QUILL, e interpretarei Alvo Dumbledore, relatando ao Ministro da Magia Cornelius Fudge tudo que se passou...



 Pote de Tinta

Ameaça/perigo
Bruxos das Trevas/Comensais da Morte
Criaturas sinistras/Seres Malignos
Escola/Castelo de Hogwarts
Estudantes/Alunos
Ritos/Rituais
Criatura Reptiliana/ Dragão Romeno
Masmorras/Dungeons
Professores/Docentes
Indícios/Sinais

Dumbledore, logicamente, supera em muito uma pessoa comum, e possui os seguintes atributos:
Caligrafia: Bom
Coração: Bom
Linguagem: Bom

(sim, o cara é bom em tudo)

Profile: Você, Alvo Dumbledore, conseguiu salvar os alunos das mãos dos bruxos das Trevas, tendo eliminado alguns e dissipado o ritual. Infelizmente, os bruxos conseguiram aparatar antes de serem pegos realmente.
Você deve escrever uma carta ao Ministro da Magia Cornélio Oswald Fudge, relatando o ocorrido, e tentando fazer o ministro ver esse evento como sendo perpetuado por Comensais da Morte, e que talvez eles estivessem a serviço de “Você-Sabe-Quem”

Querido amigo e Ministro Cornelius,

“Creio que nesse momento você já deva estar a par de tudo o que aconteceu recentemente em Hogwarts, e da grande e terrível ameaça que se abateu sobre alguns de nossos queridos estudantes (-1). Julgo , no entanto, necessário meu próprio relato, uma vez que tomei parte direta no confronto final e suspeito que a verdade por trás desses tristes acontecimentos seja ainda mais sombria e preocupante.
(+1)

Nossa antiga escola (-1) foi invadida e atacada. Com a ajuda de alguns alunos da Sonserina (cujos nomes se encontram em um pergaminho sigiloso, em uma outra coruja, a fim de preservar o nome das famílias desses jovens, que muito provavelmente não sabem no que seus filhos estavam se metendo), um grupo de bruxos das trevas conseguiu invadir nossas instalações, entre as quais a Torre dos Fantasmas. Sabemos o quão perigoso seria se os itens ali presentes caíssem em mãos erradas.
(0)

Nossas masmorras foram invadidas também, e apenas a coragem – ou deveria dizer “imprudência” – de 4 alunos (os alunos Thorson Pockesmith, da Lufa Lufa, Katherine , também da mesma casa, Josy Johanson, da Sonserina e Amanda Ceroullia, da Corvinal), que investigaram os estranhos acontecimentos por simples curiosidade, deu-me as pistas necessárias para entender o que estava acontecendo.
(+1)

Segundo os documentos que consegui, e seguindo as pistas conseguidas por esses nobres alunos – que por pouco escaparam da aventura – eu descobri que existe um grande complô de bruxos tentando realizar um ritual(+1) até então desconhecido, de grande poder, e cujo resultado faria com que todas as criaturas mágicas do mundo – veja bem, eu disso TODAS! – obedecessem ao comando de um deles. Justamente por conta disso, segue em anexo a lista de itens que fazem parte do estranho ritual, e recomendo fortemente que esses objetos sejam destruídos imediatamente. Será uma pena vivermos em um mundo sem a Muleta de Krepper, ou mesmo as Moedas Alisadoras de Sullivan IV, mas é um preço pequeno a ser pago. Não podemos das chances. Mas algo mais me intriga...
(+1)

Creio que as ações desses bruxos- que infelizmente conseguiram fugir, não sem grandes baixas – é extremamente parecida ao modus operandi dos antigos Comensais da Morte. Sei o pavor que tal afirmação pode trazer, mas negar indícios tão evidentes (-1)seria um erro que certamente nos arrependeremos no futuro, se assim optarmos. Em vista dos recentes acontecimentos com o Senhor Potter, devemos interpretar isso como um chamado à preparação. Tempos sombrios se avistam, Cornelio; temos que estar prontos.
Assim, na certeza de que você certamente refletirá profundamente essas questões e tomará a decisão mais acertada para o mundo bruxo, me despeço; minhas mãos estão geladas, preciso achar minhas luvas de crochê gentilmente cedidas pela professora Trelawney...ainda que não acredite que elas tenham o poder de revelar resultados da copa mundial de Quadribol, como a professora afirmou, são excelentes para dias frios como esse...”

(+1)


Pontuação total: 2 (muito, muito ruim!)

Consequências: O Ministro Cornelius Fudge nem se dignou a responder tal missiva. Tivesse ele acreditado, talvez tudo tivesse se passado de forma diferente; talvez a Ordem da Fênix tivesse ressurgido com antecedência. mas o que está feito, está feito...

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Feast of Legends: Um pequeno review

Galera, ontem fomos surpreendidos por um lançamento bem inusitado: uma rede de Fast Food famosa nos EUA (ainda que desconhecida no Brasil) lançou , como parte de seu marketing e propaganda, um RPG completo , de 97 páginas, com um cenário de fantasia medieval repleto de referências ao próprio negócio.



Muito tem se discutido sobre a validade desse material ou não. Pessoas bem engajadas dentro do Hobby, como Scoot Malthouse, criador do QUILL e meu game designer favorito, se posicionaram totalmente contra essa investida da MANDY's. ALiás, o Scott fez um texto irritadissimo no seu blog!kkkkkkkk.

Eu vou aqui dar APENAS minha opinião sobre isso, uma vez que acabei de ler o documento inteiro, e gostei muito de tudo que li.
É apenas minha opinião, sintam-se livres para discordar.


Feast of Legends - O Livro

Bom, vou começar comentando do PDF em si.
Trata-se de um pdf muitooooo bem feito, muito bem produzido!
Possui desenhos muito bem feitos, diagramação limpa em duas colunas, e uma estética que parece uma mistura de D&D 5 Edição com Index Card RPG (falando da parte estética).
Os mapas são muito bacanas.

Falando na real, tem uma diagramação e layout mais bacana e profissional que muita coisa que é lançado oficialmente por empresas que só trabalham com RPG.
Ponto positivo para a Mandy's!



O Sistema

O sistema não apresenta grandes inovações, sendo uma variação do basicão D&D.
A grande diferença talvez seja o fato se utilizar dados de 4 lados na hora de determinar os Stats, que são 5 - Força, Inteligência, Charme, Arcana e Graça (traduções literais). Esses valores lhe darão bonus, que serão usados nas rolagens.
O Ataque é feito com um D20 contra a Defesa do Adversário, exatamente como estamos acostumados.

Há sistema de Vantagem e desvantagem, habilidades...tudo bem dentro do comum Old School/5 Edição, nem me extenderei nesse ponto, vocês já conhecem as mecânicas.

Algumas pessoas criticaram a o sistema por ser muito pouco original. Concordo que não é original, mas TODAS as criticas nesse sentido também poderiam ser direcionadas a jogos como:

Old Dragon
Swords and Wizardry
Lamentations of the Flame Princes
Basic Fantasy


e um zilhão de outros...

Acho que o sistema de Feast of Legends aqui é de fato um mix de muito que já foi feito. Exatamente como muito jogos que adoramos por aí.


Um ponto curioso é que todo personagem faz parte de uma ORDEM, que seria tipo a "classe" do mesmo.
O nome das Ordens fazem referência aos produtos da rede:
 Temos a Ordem do Frango, a Ordem do Beef, entre outras, e cada uma com subdivisões tipo "A Ordem do Frango Grelhado"!kkkkkkkkkkkkkkkkk

Acho que o pessoal levou a sério demais esse RPG que definitivamente não se leva a sério.
Eu curti esse lado humoristico.


A Aventura

O livro tem 97 páginas, sendo 32 de regras e criação de personagens - tem personagens prontos, uhuullllll - e o restante é uma aventura gigante, cheia de dicas para o Game Master, com MUITOS eventos e acima de tudo, MUITO didática e bem escrita.
Apesar do tema meio "humoristico", a aventura é escrita de forma a dar várias dicas bacanas para o GM sobre como conduzir cada encontro, possibilidades, e até dicas de improvisação.
O mais curioso é que os jogadores podem usar coisas que eles comeram na vida real como bônus em determinadas situações - sim, coisas que eles consmiram dentro de algum Mandy's por aí!


Resumindo



Enfim, eu achei um produto bem feito. Se tivesse sido feito por alguma empresa de RPG apenas, e fosse EXATAMENTE da mesma forma, teria chamado a atenção positivamente, creio eu.
Eu particularmente não me importo que uma grande empresa lance RPGs.
Por exemplo, eu sei que a maioria da grandes empresas de RPG se preocupam exclusivamente com  dinheiro e numeros, exatamente com a Mandy1s e qualquer outra empresa capitalista do mundo, assim, acho que se viu-se potencial comercial e de marketing no RPG, acho justo eles usarem para tal fim.

O RPG pode ser usado na Educação, na Psicologia, na Terapia, em Empresas , na Gestão de Negócios...por que não no Marketing e na Propaganda?

Seria esse "Feast of Legends" o primeiro indicio de que o RPG vai se tornar tão popular ao ponto de ser um fator decisivo na venda de produtos, capaz de movimentar pessoas totalmente fora do nosso "nicho"???

Quem sabe?




Minha nota


Minha Nota é 7.

Só não dou mais pois, de maneira geral, não curto RPGs humoristicos, sendo as unicas exceções que faço o D&T original, o TOON e o Monstros.

Mas achei bacana!

O pdf pode ser baixado free aqui: Feast of Legends

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

The Dungeons of Hogwarts - Harry Potter Gameplay - Parte 23


Reacapitulando...

"Enquanto Thorson, Amanda e Katherine lutavam por suas vidas em algum lugar sombrio na Travessa do Tranco, Josy ficou “detida” nos aposentos do próprio Alvo Dumbledore, que sabendo que a aluna estava na mira de bruxos das Trevas, incumbiu Hagrid de zelar pelo bem estar da moça. Após alguma conversa com Hagrid, Josy se deixa vencer pelo cansaço, e adormece em uma confortável e espaçosa poltrona da sala do Diretor.

Ao acordar, ela percebe que Hagrid não está mais lá. Há apenas um bilhete em cima da mesa:

“Querida Aluna Josy, tive que partir, não pude esperar mais. Tem rosuinhas e chocolate quente no armário da direita. Não confunda com o armário da esquerda, esse costuma provocar feridas sérias em qualquer um que se aproxime dele.
Evite mexer nas coisas espalhadas pela mesa de Dumbledore.
Se você ver uma fênix por aí, de a ela algumas bolachinhas. Se ela ficar encarando você por mais de 3 minutos, seria melhor correr. Ela não gosta muito de alunos da Sonserina.
Atenciosamente, Hagrid”

E Josy percebe que está sozinha no local mais mágico de toda Hogwarts...



Josy: Meu Deus, preciso muito explorar isso aqui. Tem alguma porta conduzindo para algum outro comodo?

Mestre: Muito provavelmente. Rolo 2d10, tiro 6 e 8. Sim. Rolo o Fate Dice: 9. Nada especial.
Você vê uma pequena portinhola de madeira , toda trabalhada e esculpida, logo embaixo da escada. A escada em espiral sobe até o que parece ser um observatório, ou quem sabe até o telhado do castelo. O que você faz?

Josy: Vou me aproximar da portinhola. Ela está aberta?

Mestre: Muito improvável: rolo 2d10, tiro 1 e 9. Não, está trancada. Rolo o Fate Dice: 2. É um “não “ excepcional.

Quando você se aproxima da portinhola, algum mecanismo se ativa. A madeira da portinhola começa a crescer como se fosse uma planta, crando novas camadas, cheias de espinhos brilhantes e extremamente pontiagudos, como se se protegesse de algum perigo iminente.

Josy: Bom, com certeza não é algo que eu queria ver mesmo. Acho que vou tentar subir a escada em espiral. O alçapão lá em cima está aberto?

Mestre: 50/50 de chances. Rolo 2d10, e tiro 3 e 10. Sim, está aberto. Você sobe?

Josy: Sim. O que eu encontro no andar superior.

Mestre: Vamos ver. Rolo 2d10 e consulto a Detail Check Table. 3+4 = 7 = Algo contra a Trama Principal. Você encontra o que parece ser um sótão sujo e empoeirado, repleto de livros escolares velhos.

Josy: Droga! Tenho certeza que e só um feitiço para não descobrir o que tem aqui de fato! Ah, se eu soubesse alguns contra-feitiços...

Desço, contrariada, para o aposento principal.

Mestre: Nesse momento , você escuta um barulho abrupto, e do nada aparatam Thorson, sangrando e todo sujo, Amanda, com olhar assustado, e Katherine, quase vomitando, todos de mão dadas, junto com a professora Trelawney.

Katherine: Ué, os professores sempre falam que é impossível aparatar e dsaparatar dentro do castelo de Hogwarts...

Professora Trelawney: Minha querida aluna, se DUmbledore julgar necessário, nós podemos aparatar onde quer que ele quiser!
Com licença, preciso ir, estou lendo um livro muito interessante, e preciso terminar o capitulo 10. Quero saber como termina a história de amor entre o Fantasma de Sir Loren e a Vampira Daisy Mcmillian, muito interessante...

Mestre: e abrindo a porta, a professor sai tranquilamente, deixando todos vocês de boca aberta, sem saber direito o que dizer...

Continua....


sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Entrevista com Marcelo Collar , de NÔMADES!


Galera, segue mais uma entrevista ilustre, dessa vez com o grande Marcelo Collar, que está produzindo e escrevendo o RPG solo Nômades, que logo logo entrará em fase de Financiamento Coletivo.

Se você quiser saber mais sobre esse RPG solo que trata de realidades paralelas  de uma forma muito original, está no lugar certo!

Com vocês, o Cara!


Cara, estou muito ansioso para ver o NÔMADES... como você apresentaria o jogo para alguém que ainda não conhece?
Nômades é um jogo em que você, sozinho ou com alguns amigos, conta histórias sobre personagens que vocês inventam. Cada jogador será responsável por narrar da perspectiva de um ou mais personagens e decidirá todas as ações dele. Durante a narrativa, o sistema de regras impõe restrições ao rumo da história. Quem joga, em parte cria, e em parte é levado pelas consequências daquilo que criou.
Nessas histórias, os personagens são nômades, seres que têm o poder de viajar entre diferentes realidades. Esse poder, no entanto, tem um custo: viajar entre os planos deixa os nômades e as pessoas que os cercam vulneráveis ao Vazio, uma força que tenta corrigir anomalias do universo. Apesar dessa ameaça, a capacidade de conhecer outros planos de existência, na maioria das vezes, é tentadora demais para os nômades.
Nômades usa esse cenário como pano de fundo para as histórias que conta; o foco é nos conflitos internos dos personagens. Assim, ele tem a tendência de levar a narrativa para um clima parecido com o de RPGs como Vampiro: A Máscara ou Mago: A Ascensão.
O jogo é bem aberto a possibilidades, e os jogadores podem, teoricamente, jogar em qualquer realidade: seja em um mundo semelhante ao nosso, seja em um universo de fantasia medieval, seja em um futuro distópico. As regras são simples e maleáveis, e abraçam vários estilos de jogo.

Quais você diria que foram as inspirações do NÔMADES (entre as várias mídias...)?
Talvez a principal influência seja série de livros A Torre Negra, do Stephen King. Dela veio a inspiração para tratar de viagens entre realidades, tanto entre mundos muito parecidos com o nosso como entre lugares muito diferentes. O game Pathologic também me influenciou bastante, inspirando o aspecto mais surrealista da história: o Nômades tem bastante disso, dessa parada meio David Lynch. Na campanha principal do livro, por exemplo, os protagonistas são uma mulher sem nome e um homem corvo. Séries como Twin Peaks e Dark também foram boas influências. De um ponto de vista de narrativa e criação de um universo, tenho a tendência de me inspirar por diversas fontes, sejam livros, games, filmes, séries e até músicas.
A estrutura do jogo é inspirada na narrativa de séries de TV. Cada sessão é um episódio, que termina com um gancho para o episódio anterior. Cada temporada tem cinco episódios, e ao final de uma temporada, é possível criar um gancho para a próxima.



Quais RPGs você colocaria como inspiração?
A descoberta do RPG solo foi o estopim para a criação de Nômades. Há anos eu planejava um livro jogável que fosse além de fórmulas no estilo Aventuras Fantásticas. Cheguei a criar alguns protótipos, mais puxados pros wargames e jogos de tabuleiro, mas nunca evoluí muito.
Comecei no RPG solo com o Mythic, que foi o ponto de partida para o desenvolvimento do meu sistema solo/dmless. Mas acredito que as regras de criação de personagens e resolução de ações tenham sido inspiradas – não sei se alguém já disse isso alguma vez na história da humanidade – pelos RPGs live action da White Wolf, como Mind's Eye Theatre: The Apocalypse, que cheguei a jogar na época. Os personagens têm características, adjetivos, que são mencionados para se obter vantagens nos testes. A prioridade é a narrativa, e esse sistema mais solto, sem um rigor matemático, se aplica bem quando não há um “juiz” dando as cartas. Dependendo dos personagens, é possível jogar sem ficha, na mesa de bar, por exemplo. Cheguei a fazer isso durante um playtest. O sistema de combate, por outro lado, é um pouco mais concreto, há armadura, armas, dano, pontos de vida, movimentação, e os personagens podem morrer se não forem espertos! Ainda assim, quis manter a coisa simples.


O que te motivou a escrever um jogo voltado para o solo, e não para o grupo?
O Nômades é voltado ao GMless, ao jogo sem narrador e sem necessidade de preparação. Ele funciona bem tanto solo como em grupos pequenos; recomendo até três pessoas. Eu gosto muito de jogar ele solo, e me esforcei para criar sistemas simples para garantir que o jogador solo nunca trave na narrativa. Não coloquei perguntas complexas, por exemplo, pois observei a tendência que elas têm travar um pouco a fluidez da narrativa quando não estamos num dia especialmente inspirado para contar histórias.
Sempre tem algo prestes a acontecer, e o fato de ele trazer também um universo próprio facilita nessa questão. É muito mais intuitivo você saber quais organizações, seres estranhos, gangues e personalidades estão prontas para entrar em cena. Além disso, a Cidade, lugar onde se passam a maioria das histórias de Nômades, é uma cidade normal, como a minha ou a sua. Isso permite que os jogadores incorporem elementos da vida real em suas narrativas, se quiserem. Quer um lugar para ambientar sua história? É só olhar pela janela.
Voltando à pergunta: a vontade de criar algo que pudesse ser jogado solo veio da minha experiência como jogador de wargames e board games. Gosto muito quando eu, como jogador, tenho a possibilidade de explorar um jogo sozinho. Não tenho um grupo fixo de boardgames, e é cada vez mais difícil ter tempo para encarar um wargame hoje em dia. Então jogar sozinho – mesmo jogos que não têm essa opção – é uma constante pra mim. Eu queria fazer algo nesse sentido, e algo que fosse possível de produzir dentro da realidade brasileira. Um boardgame é mais caro, mais difícil de colocar na rua, ainda mais fazendo todo sozinho. Um livro me pareceu mais viável, e o RPG solo caiu como uma luva nessa proposta.


Em breve começará o financiamento coletivo do NÔMADES. Você poderia falar um pouquinho sobre como será?
Quero que o Nômades seja um livro competitivo no mercado em termos de qualidade e acabamento, mas quero também que seja acessível. O meu plano é que ele seja impresso papel couche, todo colorido. Já fiz quase dez orçamentos e acredito que seja um projeto viável. Detalhes como capa dura, verniz localizado na capa e outros luxos estão sendo estudados. É um sonho de longa data, então pretendo me esforçar ao máximo para que ele seja produzido da forma como eu idealizei.
Além disso, penso em alguns brindes, como moleskines – pegando a ideia do Tiago e da Aline no Ronin – marca páginas, um card com as duas principais tabelas do jogo e um índice com todas as tabelas disponíveis... enfim, alguns extras para incrementar o pacote. Também estou rodando um curta-metragem – bem curto mesmo, deve ter uns três minutos – que servirá de divulgação para o financiamento. Ainda não tenho uma data para lançar o curta e a campanha, mas pretendo fazer tudo ainda neste ano.
Por fim, estou planejando um jogo introdutório em forma de livreto, poucas páginas. Será uma aventura pronta, com tabelas específicas para esta aventura. Servirá como um tutorial e uma introdução ao universo de Nômades, pois as regras e ambientação vão sendo explicadas conforma a aventura progride. Ah, ela talvez tenha o final mais sinistro que já escrevi na vida!


Você pensa em futuros suplementos?
Ideias não faltam! Já tenho alguns rabiscos para o primeiro suplemento e uma ideia geral do que quero abordar no segundo. O universo de Nômades têm histórias que eu comecei a criar na cabeça há mais de dez anos. Então muito do que eu escrevi desde então está ligado a este universo. Tenho bastante coisa pra dizer, bastantes personagens para apresentar. Claro, o lançamento ou não depende muito do sucesso da campanha e do interesse do público pelo Nômades. A minha parte eu garanto! Hahaha!

Recentemente , junto com o Alexandre Selliach, vocês montaram o selo independente Loners Solo RPG. O NÔMADES sairá dentro do selo, ou será independente?
Nômades é meu projeto principal, será lançado de forma independente. Tenho várias outras ideias de jogos que pretendo produzir, jogos menores, que caem bem na ideia que eu e o Alexandre tivemos para o selo.

Falando nisso, como surgiu a ideia de montar esse selo?
Estávamos falando de RPG, eu acho. Aí a ideia surgiu daí. Temos que planejar o que faremos com ele ainda, não falamos sobre o Loners há algum tempo, mas já tenho pelo menos umas três ideias de jogos bem focados que quero fazer! O que falta é tempo, o Nômades acaba tomando todas as minhas horas livres!

Cara, agora o espaço é seu, para falar o que quiser! Pode elogiar, criticar, recomendar, fazer jabá, cantar um bolero russo… seja livre, o espaço é seu!
Bom, quero convidar todo mundo pra acompanhar o desenvolvimento do Nômades lá no @nomadesrpg, tanto no Instagram como no Facebook. Conforme o livro vai ficando pronto, vou publicar mais previews e vídeos. E agora, claro, aquele bolero russo:

Я пришел с конца времен
Чтобы исправить то, что было не так
Освободить заключенных
и дай им рай.

Я пришел с конца времен
Купать меня в крови
Очистить всю вселенную
За порогом.

Я пришел с конца времен
Чтобы положить конец всей боли
За порогом
Я Освободитель.



Pagina oficial do projeto no facebook: https://www.facebook.com/nomadesrpg/

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Entrevista com Trevor Devall, do Canal "Me, Myself and Die"

Galera, e hoje trazemos mais uma entrevista internacional. Dessa vez com o reconhecido Voice Actor Trevor Devall, que sacudiu o mundo do RPG solo nas últimas semanas com o canal de gameplays "Me, Myself and Die", o canal mais bem produzido de todos os tempos quando o assunto é Solo RPG!

Trevor Devall é um artista reconhecido, tendo trabalhos recorrentes para muitas companias famosas , como a Disney (ISSO MESMO), entre outras! Por exemplo, ele fez a voz do ROcky Racoon no desenho do Guardiões da Galáxia em 2016, e do Imperador Palpatine no LEGO Star Wars , da Disney!

Apresentando a si mesmo, ele costuma dizer que ele é:

"Voice Actor. Escritor. Playboy bilionário. E alguém que sempre exagera nos terceiros ítens em Listas."

Com vocês, Mr. Devall! Sem cortes, como sempre!




Olá Sr. Devall



É um grande prazer poder realizar esta entrevista com você! Venho promovendo o RPG solo aqui no Brasil e, na minha opinião, seu canal é a coisa mais impressionante que apareceu nos últimos tempos relacionada ao nosso amado hobby.

 Muito obrigado!

 1-Vamos começar com o básico: Como foi seu primeiro contato com RPG?

D&D básico (o conjunto do Moldvay, que vinha naquela caixa) através de um amigo na escola, em 1980, aproximadamente. Após uma viagem pela vila de Homlett, meus amigos e eu  fomos completamente fisgados!


2- Quais RPGs você mais jogou desde então? Quais são seus favoritos?

Centenas, ao que parece, ao longo dos anos…. Mas eu amo o Warhammer FRP 1º e 2º Ed., Savage Worlds Deluxe, Harnmaster 3º Ed., Mitos (Runequest 6)… a lista continua...


3- Como você conheceu o RPG solo?

Eu descobri o sistema solo Mythic através do DrivethruRPG há muitos anos e comecei a usá-lo como uma ferramenta para meus jogos presenciais em casa. Eu adorava poder mestrar uma aventura com absolutamente nenhuma ideia do que iria acontecer a seguir. Isso é normalmente reservado para os jogadores!



4- Quais ferramentas / sistemas você usa em suas sessões solo (além do que você já nos mostrou em seus vídeos)?

A princípio, o principal é  apenas um terreno em miniatura que eu construí, aprendido assistindo a mestres do YouTube como o Black Magic Craft e o Wyloch's Armory.


5. Como o gosto pela interpretação de papéis influencia seu trabalho como dublador?

O jogo me permitiu desenvolver muitas vozes de personagens desde a mais  tenra idade. Meus amigos costumam assistir a um desenho animado em que eu estou trabalhando e reconhecem a voz de uma sessão de jogo em que eles jogaram comigo anos atrás!


6- Como surgiu a ideia de montar o canal “Me Myself and Die”?

Eu queria fazer algo original que não exigisse uma equipe ou que não precisasse fazer malabarismos com a agenda de outras pessoas. Felizmente eu tive acesso a todo o equipamento necessário, então eu "me ensinei" a filmar, editar e fazer upload para o Youtube, e poof! Aqui estamos!


7- Seus vídeos no youtube são muito bem produzidos ... quanto tempo é necessário para editar cada um deles? É muito trabalho, eu posso imaginar!

Isto é, de fato! Em cada episódio, passo cerca de duas horas montando (o cenário), uma hora e meia filmando e depois cerca de 4-6 horas editando e produzindo. Estou ficando mais rápido a cada novo episódio. No fim das contas, eu adoraria lançar dois episódios por semana - mas não me prendo a isso!


8- É incrível como você consegue desenvolver a história, os personagens, usando Mythic, UNE e outras ferramentas ... que conselho você daria para alguém que assistiu seus vídeos e quer começar a jogar RPG solo também?

Apenas faça (JUST DO IT)! Só é preciso a sua imaginação. Para mim, nunca substituirá um jogo real em torno da mesa com um grupo adequado, mas com certeza chega em um segundo muito próximo disto.


9- Parece-me, pelo menos aqui no Brasil, que o interesse pelo RPG tem crescido muito nos últimos tempos. Você também tem essa mesma opinião?

Absolutamente. De muitas maneiras, estamos em uma nova era de ouro dos RPGs - em parte graças às mídias sociais, à facilidade de auto-publicação na Internet e aos esforços de pessoas como meus amigos e colegas no CRITICAL ROLE, que eu acho que foram fundamentais trazendo o jogo para um público maior.


10- Esta não é uma pergunta, mas apenas para agradecer e dizer que o espaço aqui é todo seu. E acima de tudo, dizer que nós do Brasil estamos acompanhando seu canal e curtindo muito! Muito obrigado por tudo

Muito brigado à vocês por assistirem!

Link para o canal Me Myself and Die: Me, Myself and Die



E para saber mais, o site pessoal do artista: https://www.trevordevall.com




Por que eu crio jogos? –Parte 1

Por que eu crio jogos? –Parte 1 Hoje quero escrever um pouco sobre isso. Por que eu insisto em gastar uma boa parte do meu tempo...