segunda-feira, 20 de maio de 2019

Aquisições: Atisi ( Edição Bárbara)

Bom , galera, e lá vem novamente os artigos rápidos da área "Aquisições"!

A proposta aqui é simplesmente comentar, rapidamente, quais materiais tenho adquirido, e dizer por que valeu a pena . Falo apenas dos materiais que eu comprei e gostei; jamais falarei negativamente de algum material. Os que eu compro e não gosto, simplesmente não escrevo nada!
Sou TOTALMENTE contra propaganda negativa dentro do RPG!

Lembrando que  aqui é só um simples rascunho, uma apresentação; a resenha virá logo! E gameplay também, pois quero muito jogar esse RPG.

Bom, vamos lá....

ATISI

O que é?


"Atisi" é um RPG escrito pelo grande marcelo Paschoalin, e vem com a proposta de apresentar um cenário de fantasia totalmente baseado na civilização egipcia (e outras civilizações africanas). Além do cenário, o livro traz regras completas, utilizando o sistema de regras consagrado no famoso RPG Barbarians of lemuria. Pelo que sei, o mesmo cenário tmbém foi lançado com o sistema de regras dos jogos Powered by the Apocalipse, que é muito bom também. mas confesso que tenho uma queda pelo primeiro sistema citado, que é bem simples e ao mesmo tempo cheio de possibilidades!


Por que é tão bom?

Por tudo! Trata-se de um livro super bem escrito, acima de tudo. Marcelo Paschoalin já escreveu muita coisa, e com certeza tem as qualidades para criar livros em que cada página tem seu interesse. O cenário é maravilhoso, ao mesmo tempo em que possibilita aventuras bem próximas as tradicionais, além de abrir um leque de novas possibilidades com toda uma cor "egipcia".
Aliás, é importante dizer que o cenário NÃO é o Egito, e sim uma terra inspirada, principalmente em sua estética, na civilização do Rio Nilo!

Aspectos Positivos

- O livro (pdf, no meu caso) é lindo! A diagramação, as ilustrações. Chego a dizer que são acima da média!
- O sistema de Barbarians é fodástico! E vale dizer aqui que o ATISI é independente: você só precisa dele, que vem com todas as regras para se jogar!
- Uma leitura extremamente agradável!
- O preço é bem acessível

Aspectos Negativos

Nenhum, nenhum mesmo!


Recomendo para quem?

- Todos os fãs do RPG Barbarians of Lemuria;
- Fãs de mitologia egipcia;
- Fãs de Fantasia medieval aventurescas;

- Todo mundo!

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Entrevista com André Medeiros, do canal "O Fabulário"

Bom, galera, hoje a entrevista é com o André Medeiros, a mente por trás do canal "O Fabulário", um dos canais mais originais do youtube mundial, e com certeza o meu canal favorito.
Pra quem não sabe, o Fabulário apresenta uma história interativa estilo "escolha sua propria aventura" totalmente interpretada e contada pelo André através dos vídeos. Você assiste o video, e ao final de cada trecho você escolhe como a história continuará, indo para o próximo video.

Eis aqui o link do Canal: O Fabulário

Então vamos lá, sem cortes ou edições!




Olá, André! Muito obrigado por aceitar fazer essa entrevista! Sinta-se livre para responder as perguntas da forma que achar melhor. Desde respostas monossilábicas até verdadeiras teses de doutorado, tudo é válido aqui, sinta-se 100% livre!

Vamos lá então!

1-      Cara, imagina que você tenha que apresentar o Fabulário para alguém que não faça ideia do que é o canal. O que você diria a essa pessoa?
R= Cara... o Fabulário é um canal no youtube que conta uma história interativa, na qual VOCÊ decide que caminho a história vai tomar, criando assim vários finais possíveis para a mesma aventura.

Vou dar exemplo: Imagina a história da chapeuzinho vermelho. O trabalho que eu faço com o Fabulário é praticamente dar opções de escolha para que você modifique a historia que está sendo contada.

O que aconteceria se a chapeuzinho não cortasse caminho para a casa da vovó e fosse pela estrada ao invés da floresta? Se ela fugisse do lobo quando o viu? E se ela tivesse dado metade da cesta de doces para o lobo faminto? Se ela tratasse mal o lenhador e ele não tivesse vindo socorre-la?

Acho que toda história pode ter infinitos finais, e no Fabulário eu tento mostrar que cada vez que você toma uma decisão ela vai ser importante no futuro. Por mais que pareçam decisões corriqueiras, elas podem ter uma grande e inesperada reação no futuro

(Assim como na vida real... uehuehueheuheuheuheheuehuehueh)

2-      Como foi seu primeiro contato com o RPG?
R= O primeiro, primeiríssimo contato foi jogando com um vizinho quando eu tinha 8 anos jogando o famoso HERO QUEST.

Achei inacreditável aquele jogo que eu jogava uns dados malucos, matava os monstros e roubava tesouros. Achei genial, mas só fui jogar algo parecido de novo com os meus 13 ou 14 anos (que por coincidência foi com outro vizinho...UEHUEHUEHEUHEUHEUHEUEHUEHE)

E esse cara que me ensinou a jogar RPG é um dos idealizadores do canal! Então o canal é praticamente um retorno as origens do que foi para mim conhecer o RPG!


3-      Quando surgiu a ideia de montar algo como o Fabulário? Da ideia inicial até o “colocar a mão na massa”, quanto tempo se passou?
R= Cara... um dia eu estava em casa e pensei “Queria jogar um livro-jogo” e fui procurar alguma coisa no youtube. Quando eu vi que não tinha, pensei na hora... “Se ainda não tem... eu vou criar!”

Eu assisti o Jornal Nacional e pensei assim... “esse Willian Bonner ai, tá praticamente lendo um jornal na TV. Talvez se eu escrever um livro-jogo e ler ele no Youtube vai dar certo!”

Daí até chegar ao conceito de como seria interpretar os NPC´s e criar as imagens que fariam parte da história foi questão de tempo

Como eu já mestro a mais de 15 anos, e tenho formação de ator, achei que seria fácil... (E esse foi um feliz erro, acho que se eu tivesse calculado que daria TANTO trabalho, talvez eu não tivesse feito)

Costumo dizer que o Fabulário é o trabalho mais trabalhoso que eu já tive na vida!!!

UEHUEHUEHUEHUEHUEHEUHEUHEUHEUEHUEHUEHUEHEUH





4-      Tenho certeza que fazer a história completa deve ter dado um trabalho gigantesco! Você poderia contar para nós como foi a montagem de tudo, o que você teve que fazer ,como foi a edição (sim , eu sei, essa resposta será enorme, e é justamente isso que queremos!kkkkk)...

R= CARA... Como o trabalho de criação do livro-jogo (no caso o roteiro) ia ficar todo nas minhas costas, demorou alguns meses desde escrever a história, fazer uma revisão, criar os trejeitos dos personagens, criar o visual de cada um. Colocaria uns 3 meses.

Depois veio a parte de gravar propriamente dito, viajei para São Paulo para gravar, ai comprei iluminação, bateria pra câmera, perucas, roupas em brechó e tudo mais.

Já a gravação que eu achei até rápido, mais uns 15 dias. (15 dias de gravação frenética... por exemplo: toda a parte do chefe da guarda eu gravei doente, quase MORRENDO!!!)

Ai veio a parte de edição.... MEU AMIGO, Ai demorou!!! Heuheuehuehueheuheuheuheueh... Mais uns 2 meses de edição trabalhando dia e noite.

Teve dias que eu acordei 8 da manhã, sentei pra editar, e só levantei 11 da noite.

Como eu já disse... o Fabulário é o trabalho mais trabalhoso que eu já tive na vida!!!

UEHUEHUEHUEHUEHUEHEUHEUHEUHEUEHUEHUEHUEHEUHHEUHEUHEUEHUEH



5-      Você imaginou que o canal teria tanta repercussão? Muita gente conheceu e está conhecendo o Canal, e só vejo críticas positivas sobre ele!
R= MANO... toda vez que a gente cria alguma coisa (especialmente uma tão TRABALHOSA) a gente imagina o pessoal gostando, mostrando para os amigos e tal.

Mas eu acho que para somente uma aventura lançada, o canal está muito bem.

Com uma só história lançada até agora, eu competi esse ano com o Fabulário ao Goblin de ouro (que para quem não sabe, é tipo o OSCAR DO RPG NACIONAL) como melhor canal de RPG.

Isso competindo com uma galera absurda tipo, Formação Fireball, Vertente Geek, o próprio vencedor desse ano o Game Chinchila. Só atrações DE PESO, e o Fabulário lá, no meio desses grandiosos canais.

Acho que o canal tem uma grande perspectiva de crescimento tanto com o público que se amarra em RPG quanto um público que não conhece RPG usar o canal como entrada para o mundo RPGístico



6-      Você joga livros-jogos com frequência? Em caso afirmativo, quais seus livros favoritos?
R= CARA... as aventuras do IAN LIVINGSTONE estão guardadas no meu coração.

Não tem como não deixar registrado isso!!!

UEHUEHUEHUEHUEHEUHEUHEUHEUEHUEHUEHUEHEUHEUHEUHEUEH



7-      Quais seus sistemas de RPG favoritos, e por que?
R= EITAAAAA... n tenho como esconder que o meu favorito é D&D.

Comecei jogando ele... e o meu peito sempre bate mais forte quando rolo um d20!! UEHUEHEUHEUHEUHEUHEUEHUEHUEHEUHEUHE

Eu já joguei outros sistemas e aprendi muito com eles.

A gente aprende jogando GURP´S, jogando 3D&T, vampiro, sistemas Inependentes.

O que eu acho lindo é tirar essa aparência de que no D&D é só pancadaria a matar monstros, e colocar uns os questionamentos éticos e filosóficos.



8-      Acho que você já deve estar de saco cheio de responder isso, mas lá vai: teremos uma nova aventura no Fabulário?
R=CARA... não fico de saco cheio não!!!

EU ADORO QUANDO PERGUNTAM, pq significa que o pessoal está gostando =D

Eu tenho mais 6 histórias já pré montadas para as próximas aventuras.

E como eu respondi antes, é um trabalho muito trabalhoso.  A próxima aventura vai ter mais de 70 videos, então fica bem pesado, mas vale a pena depois que eu vejo o feedback do pessoal.



9-      Como foi ver o filme de Black Mirror na Netfilix, o “Black Mirror: Bandersnatch”, sabendo que você já fazia o mesmo meses e meses antes dele? Você gostou (caso tenha assistido)?
R=RAPAIZ... eu assinei o netflix por um mês grátis só pra poder ver esse black mirror.

Confesso que esse Episódio é mais ambicioso em certos pontos do que o fabulário (Lógico... NETFLIX né mano?)

Mas eu vejo mais gente perguntar se vai ter outro Fabulário do que perguntando se vai ter outro
Bandersnatch. Então eu acho que mesmo com recursos limitados, o trabalho está correspondendo bem ao que o pessoal espera encontrar =D



10-  Qual foi o momento em que o canal te surpreendeu?
R= MANO... Foi quando eu recebi uma mensagem dizendo assim: “O seu vídeo “O Aprendiz de Herói” já possui 10.000 visualizações”.

Naquele momento fiquei de boca aberta pensando... CARA... de certa forma EU MESTREI PARA 10.000 PESSOAS???

Fui dormir feliz nesse dia... UEHUEHEUHEUHEUHEUHEUEHUEHEUHEUHEUHE



11-  E quais os próximos planos para o canal?
R= CARA... nesse dia de hoje... acabamos de bater 3.000 inscritos.

Que pra mim é muito divertido e mostra que o público está querendo outro.
Vamos lançar a segunda aventura o mais rápido possível.



12- Qual foi o comentário mais curioso que você já leu ou ouviu sobre o canal?
R= CARA... uma vez teve um brother que gostou tanto... tanto... tanto... que ele jogou todos os finais possíveis, e mostrou o canal para a mãe e o pai dele
E o pai dele ficou viciado.
.. e em uma só noite jogou mais de 5 finais!!!
Achei bem louco saber que um pai teve o primeiro contato com o RPG comigo sendo mestre...HEUHEUHEUEHUEHUEHEUHEUHEUEHEUH



13-  Cara, aqui o espaço é seu! Deixe seu recado, faça seu jabé, de sua opinião sobre qualquer coisa...seja livre. Inclusive, se achar que alguma pergunta deveria ter sido feita, coloque aqui, pode responder também!
R= CARA... Canal o Fabulário, o canal mais interativo de RPG nacional com conteúdo totalmente GRATUITO e uma aventura para jogar agora mesmo!!!


Muito obrigado mesmo, cara
R= Que isso meu querido... eu que agradeço meu LORDEEEE!!!

=D

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Entrevista com o autor e game designer Cezar Capacle!


People, hoje apresento mais uma entrevista, dessa vez com o grande Cezar Capacle, que entre outros trabalhos criou a magnífica versão solo do Movin"On!

Uma entrevista muito bacana e esclarecedora! E se você não conhece o Movin"On solo, pare tudo e vá lá no Dungeonist garantir sua cópia aqui: Movin'on solo 



Olá, grande Cezar! Tudo joia? Segue aqui as perguntas, sinta-se livre para responder da forma que achar melhor, seja de forma monossilábica, ou com respostas que mais se pareçam teses de doutorado, o espaço é todo seu!

  1. Antes de mais nada, Cezar, conte um pouco para nós como foi o seu primeiro contato com o RPG

Rapaz, isso vai denunciar a idade, hehehe… eu tinha 12 anos e um amigo me chamou pra “jogar um jogo” na casa de um conhecido dele. Cheguei lá e vi o First Quest em cima da mesa. Aquelas fichas ilustradas, algumas miniaturas… o mestre ainda desenhava alguns dos monstros! Cara, fiquei fascinado. Lembro até hoje do CD que vinha com o jogo… e lá se vão mais de 20 anos! Me encantei com a possibilidade de criar mundos, personagens e aventuras. Posso dizer que foi amor à primeira vista.

2.            Quais sistemas você mais jogou? Quais você mais gosta?

Acho que AD&D naqueles tempos e FATE hoje em dia. Nunca fui muito de jogar uma coisa só. Sempre brinco que, mesmo se eu quisesse jogar só jogos incríveis que nunca joguei a partir de agora, não teria tempo de vida suficiente pra jogar todos. Não vejo muito sentido em ficar jogando a mesma coisa a vida inteira com tanta coisa boa pra conhecer por aí.

Se eu fosse citar alguns dos jogos que gosto muito — pegando o que lembro de cabeça e certamente cometendo injustiças com meu próprio gosto —, incluiria FATE Acelerado, Dungeon World, Freeform Universal, Lady Blackbird e Mouse Guard.

3.            Se você tivesse que recomendar um sistema para uma galera que esteja começando, qual seria?

Essa é uma pergunta bem delicada de se responder e uma com a qual eu acredito que precisamos ter muito cuidado.

É muito fácil responder “pega sistema X” ou “vai de Y que não tem erro” e ignorar uma questão básica: que tipo de experiência esse novato deseja? Quais histórias ele quer contar? Isso é a primeira coisa a se pensar.

Como premissa básica, procuro apontar para jogadores novatos sistemas mais simples e maleáveis, e com mecânicas modernas. Não me parece sensato recomendar tomos de 900 páginas da década de 90 como um bom jogo para iniciantes. Jogos mais recentes tendem a incluir questões importantes como segurança à mesa, acessibilidade e inclusão, e boas práticas de design acumuladas ao longo das últimas décadas. Se alguém tem a chance de começar a jogar já com essa bagagem, por que desperdiçar essa oportunidade?

Dito isso, tenho na manga algumas recomendações, dependendo do que a pessoa pede. FATE Acelerado é uma delas, Calisto é outra, os meus minijogos Presto! e 50-50 aparecem também. Mas eu sempre procuro customizar a resposta para cada situação.

4.            Falando sobre o Movin’ On solo, você poderia nos contar um pouco sobre como foram os “Bastidores” do jogo? Como foi que você se envolveu no projeto?

Conheço o Diego Azevedo, autor do projeto, de alguns grupos de RPG em comum. Eu sempre acompanhei as produções do estúdio dele, e ele as do meu. Quando ele estava formatando a campanha de financiamento coletivo para o Movin’ On , ele me procurou e generosamente ofereceu a oportunidade de desenvolver algum conteúdo para uma das metas extras do financiamento. E mais: ele me deu liberdade total para propor o que eu quisesse!

Naquele momento, eu estava consumindo bastante material de RPG solo da nossa comunidade, e daí me ocorreu de propor um conteúdo solo como meta extra. Ele comprou a ideia na hora e eu aceitei o desafio, pois nunca havia feito nada parecido na vida!

5.            Quanto tempo você levou para escrever o Movin’on?

Se se contar apenas a produção do conteúdo em si, não deve ter passado de duas a três semanas. Mas o processo criativo não funciona exatamente assim. Ao todo, devem ter sido uns cinco meses de pesquisas de referência, testes, idas e vindas, e muita, muita reflexão!



6.            O Movin’ On solo pode ser jogado apenas com o PDF, ou dentro de uma plataforma online interativa muito bacana, com vários elementos, como sonorização! Como surgiu a ideia de fazer algo tão diferente?

Resposta honesta: não sei! Hahaha… Entre o convite do Diego e minha resposta com a proposta foram exatamente 12 minutos! Acho que essa ideia de explorar outras maneiras de se jogar RPG, outras plataformas para distribuir conteúdo, e principalmente outro modo de aprender o jogo já estava na minha cabeça há algum tempo. E o tema do Movin’ On ajudou bastante nesse sentido: uma pessoa fugindo de um perseguidor em um filme de terror é um prato cheio tanto para o jogo solo quanto para recursos audiovisuais diferentes.

Acho que tem todo um campo a se explorar acerca da maneira como consumimos, aprendemos e jogamos RPG. RPG é um jogo louco porque em geral ele só existe enquanto é jogado, né? O suporte em livro são apenas as regras, e existe ainda hoje essa distinção entre o jogo escrito (o livro de regras) e o jogo jogado (a experiência na mesa). No Movin’ On Solo, quis borrar essa divisão e propor que o jogador não precisaria saber nada, em absoluto, sobre as regras antes de jogar. E isso só seria possível em uma plataforma eletrônica.

7.            Como foi o desenvolvimento dessa versão online?

Cara, foi um desafio tremendo, não posso mentir. A plataforma que eu escolhi (Twine) facilita bastante o trabalho, mas tive que estudar um pouco da linguagem de programação dela, suas limitações e recursos, e sua lógica de construção. Mas também foi muito satisfatório. A cada nova passagem que eu montava, conseguia imaginar a experiência do jogador passando por aquelas situações…

A própria proposta para o jogo mudou bastante ao longo do desenvolvimento. Ela quase virou um livro-jogo por um momento, mas em uma certa altura me deu um estalo de como transformar essa estrutura eletrônica em um sistema de RPG solo completo, em que fosse possível vivenciar aventuras completamente diferentes a cada vez que se joga. Desse momento em diante, o desenvolvimento fluiu muito rápido.

E, claro, gastei um tempo absurdo escolhendo as fontes, os fundos de tela e as cores, para que esses elementos também fossem capazes de guiar o jogador pela experiência. As músicas foram o toque final, e eu tentei escolher texturas sonoras que condissessem com cada momento do jogo: uma falha, um sucesso, uma tensão maior. É um baita trabalho, mas é muito gratificante.

8.            Quais obras – filmes e livros, ou mesmo séries – você acredita que tem o mesmo clima que o Movin’ On solo é capaz de passar?

Esse foi mais um dos desafios de desenvolvimento, porque eu pessoalmente não sou um consumidor desse tipo de ficção. Então, para reproduzir os chavões do gênero, eu passei um bom tempo pesquisando na internet e também assistindo a série Slasher, do Netflix, que me parece congregar vários dos clichês do gênero.

Mas acredito que o Movin’ On Solo emula bem uma parte desses filmes como Sexta-feira 13 ou A Hora do Pesadelo, nomeadamente aquele momento em que apenas uma das vítimas se vê sozinha fugindo do perseguidor. Essa cena da pessoa correndo, sem fôlego, era o que eu tinha gravado no fundo da cabeça durante todo desenvolvimento do jogo.

9.            Falando especificamente sobre o RPG solo, Cezar, como foi seu primeiro contato com essa modalidade?

Foi até anterior à modalidade em grupo, apesar de eu não saber disso à época. Quando estava na sétima série, encontrei na biblioteca da escola alguns daqueles livros da série ”Escolha a Sua Aventura”. Devorei todos em algumas semanas. Depois disso, passei a fazer experiências parecidas com mundos que eu mesmo criava. Desenhava o mapa de fantasia e ia tomando as decisões dos personagens, sem nenhuma regra ou sistema.

Só muito tempo depois eu vim a saber dos sistemas de RPG solo propriamente ditos; quando li Ironsworn, me apaixonei imediatamente. Pouco tempo depois, descobri o grupo RPG solo por meio de um comentário que você fez no grupo Indie RPG. Daí sim mergulhei de cabeça e até hoje investigo os limites do potencial dessa modalidade.

10.         Quais seus RPGs solo favoritos?

Ironsworn tem um lugar guardado no meu coração. Acho a construção do jogo como todo fantástica, e é minha referência para diversos projetos que desenvolvo (inclusive para o oráculo de Movin‘ On Solo). Agora me apaixonei pelo Ronin. Acho que o Tiago acertou a mão nessa proposta. É o tipo de jogo solo que mais me atrai: aquele em que se criam narrativas com drama, profundidade de personagem e conflitos interpessoais, tudo surgindo naturalmente porque o sistema te dá essas ferramentas (a tal da narrativa emergente). Simplesmente fantástico! Fiquei muito feliz com o resultado do financiamento coletivo, e não vejo a hora de ter minha cópia.

11.         Aqui, finalmente, um espaço que é todo seu! Pode colocar contatos, falar de suas outras criações, discursar sobre o universo...ou mesmo fazer tudo isso ao mesmo tempo. Seja livre, cara, o espaço é seu!
Nós humanos somos concebidos para criar e contar histórias. Desde os mitos tribais passados de geração para geração ao redor da fogueira até os grandes épicos cinematográficos, nós temos essa necessidade intrínseca. Tanto é que quando vamos dormir e descansar, o que o nosso cérebro faz? Cria mais histórias, que vivenciamos pelos sonhos.
Estou dizendo isso para convidar os leitores do seu blog a sempre vivenciar novas histórias. Experimentem, convidem novos jogadores, joguem novos sistemas. Na minha opinião, RPG só é nicho por falta de exposição e oportunidade, porque o fascínio pela criação coletiva ou individual de mundos e histórias está amarrada em nosso subconsciente desde que a gente é gente. Joguem mais. Joguem sempre.
Se quiserem conhecer meus joguinhos, podem visitar a página do Not A Giraffe Studio no facebook ou me chamar nas interwebs da vida. Se for pra falar de game design, então, não tem tempo ruim!
Obrigado pelo espaço, Tarcisio, e pelo trabalho diligente que você faz pelo nosso hobby querido.


segunda-feira, 13 de maio de 2019

Entrevista com Andrea Sfiligoi, criador de 4 Against Darkness


Olá, pessoas!

Galera, é com orgulho que apresento hoje uma entrevista exclusiva, cheia de informações, novidades e spoilers com o criador daquele que talvez seja o mais famoso Dungeon Crawl do mundo do RPG solo, o 4 Against Darkness. Falo do game designer italiano Andrea Sfiligoi!

Extremamente solícito, Andrea se mostrou super atencioso e gente boa, e contou MUITO coisa.

Como sempre, vamos lá, sem edição nenhuma!



Olá Andrea! Em primeiro lugar gostaria de dizer que é uma grande alegria ter esta entrevista com você. Aqui no Brasil, a comunidade de RPG solo é relativamente pequena, mas muito forte, e nós temos muitos fãs do seu trabalho!

Aqui estão algumas perguntas, sinta-se à vontade para respondê-las da maneira que achar melhor. E mais uma vez, obrigada!

1 - Bem, acho que podemos começar pelo começo! Andrea, como foi seu primeiro contato com o mundo dos jogos de tabuleiro e RPGs em geral?

Eu tinha um tio que pertencia a um grupo religioso. Eles me deram um panfleto que aconselhava os pais contra os perigos de um jogo satânico chamado “Dungeons and Dragons”. Claro, a primeira coisa que pensei foi que eu absolutamente precisava desse jogo! Então, eu tinha apenas 12 anos e tive que trabalhar duro para encontrar o dinheiro para comprar a caixa vermelha D & D do Reino Unido. Agora, comprar coisas à distância é fácil, mas na época não era. Não havia nenhum meio de pagar sem ser diretamente. Nós tivemos que ir ao correio e pedir International Reply Coupons, então a empresa usaria  para converter em selos, e só depois fariamos a compra.

2- Ainda relacionado à pergunta anterior, quando você decidiu começar a criar seus próprios jogos?

Bem, enquanto eu e meus amigos estávamos esperando por essa incrível inovação, o RPG, decidimos criar nosso próprio jogo! Eu tinha apenas 12 anos, então o resultado não foi bom em termos de design de jogos. Peguei duas grandes folhas de papel e desenhei mapas enormes com um grid. Foi um jogo competitivo sobre piratas em um mundo de fantasia. Os jogadores moveriam seus próprios navios, contratariam tripulações e parariam em várias ilhas para consertar os navios danificados, evitando os monstros marinhos e o mau tempo. O GM simplesmente tinha notas de onde os monstros e perigos estavam, e quando um navio se movia em uma área, desencadeava os efeitos.

3- Você criou muitos jogos legais, como 4 Against Darkness, BattleSworn, Song Of Blades and Heroes, entre outros. Se eu lhe pedisse para indicar apenas uma de suas criações para alguém que ainda não as conhece, qual você indicaria e por quê?

De todos os jogos que criei, os que mais gosto são o A Fistful of Kung Fu (que escrevi para a série de jogos de guerra Osprey, e recebi uma nomeação para as Melhores regras no Origins, e é baseado no mecanismo de regras do Song of Blades) e Four Against Darkness, mas também jogo muito Sellswords e Spellslingers, meu jogo de miniaturas de fantasia solo / coop.

4- Falando especificamente sobre o 4 Against Darkness, como surgiu a ideia de criar o jogo?

Simplesmente porque eu queria criar um jogo para mim quando o meu grupo de jogos local se desfez. Eu tentei muitas vezes criar um novo grupo de jogadores, mas nunca conseguia, então ao invés de depender de outras pessoas, eu tentei criar um jogo que eu pudesse jogar sozinho. Eu também já estava trabalhando em tempo integral como designer de jogos (estou fazendo isso há mais de 11 anos), então eu também precisava de uma linha de jogos que eu pudesse testar sozinho, e não ter que confiar nos horários dos meus poucos amigos de jogos.

5- Da ideia inicial ao produto liberado, o 4AD passou por muitas mudanças?

Mais ou menos permaneceu o mesmo, mas houve MUITOS esclarecimentos e adições.

6- A recepção de 4 Against Darkness tem sido, desde o seu lançamento, muito positiva em todo o mundo! Eu já vi gameplays vindos de vários países (EUA, Brasil, Espanha, Argentina ...). Como você vê esse reconhecimento?

Dá muito prazer ver meus jogos sendo jogados e comprados em todo o mundo. É um mercado pequeno, por isso mesmo algumas cópias vendidas aqui ou ali podem fazer a diferença. Se o jogo continuar a vender bem, vou apoiá-lo. Agora existem vários outros escritores trabalhando nisso e temos mais de 18 novos livros em andamento


7- Você tem algum método de criar um jogo? Você começa com o conceito, depois parte das regras ou o contrário? Ou faz tudo juntos? Ou alguma outra maneira?

Começo planejando meus critérios de projeto e me fazendo algumas perguntas fundamentais: o que esse jogo está tentando fazer? Quanto tempo deve durar uma sessão típica? O que esse jogo pode fazer de uma maneira única? Já existe um jogo que faz as mesmas coisas? É bem sucedido? Se não for bem-sucedido, por que e o que posso fazer para melhorar? Por que as pessoas não estão jogando esse tipo de jogo? E assim por diante...
E então eu só encontro as soluções de design que, na minha opinião, funcionam bem com o que tenho em mente.

8- Que jogos e game designers você considera uma inspiração?

Eu sou um grande fã de rpgs, wargames e gamebooks. Tenho muitas inspirações e não é fácil atribuir alguns nomes. De qualquer forma, vou mencionar Steve Jackson ( do GURPS), Jeff Grubb (super-heróis da Marvel rpg), Ed Texeira (da Two Hour Wargames), Steve Jackson e Ian Livingstone (Fighting Fantasy), e E.G. Gygax são aqueles cujo trabalho eu verifico com mais frequência para soluções elegantes, idéias originais ou inspiração.

9- Você está trabalhando em algum novo projeto, ou algum suplemento para alguma de suas criações?

Sim, neste momento estou editando e fazendo trabalhos de arte para uma longa lista de livros de 4AD, alguns escritos por mim, alguns por outros, incluindo uma novela (do autor Davide Mana) e uma história em quadrinhos (por mim) e uma tonelada de suplementos que variam de 32 a 140 páginas. Eu tenho uma versão retro scifi vindo (Four Against Mars, acho que inspirada nos filmes de ficção científica dos anos 50) que deve estar disponível neste verão e uma versão de terror de um único personagem (The Harrowing Journey) que deve estar pronta, mais cedo ou mais tarde. Mas é muito difícil para mim fazer planos sobre o futuro do jogo.

10- Que jogos você poderia jogar pelo resto de sua vida sem se cansar?

Na verdade, qualquer jogo com um elemento de campanha forte, mas com regras simples. Eu gosto de jogos com histórias emergentes - onde a história é criada pelos eventos na mesa e nos lançamentos de dados, e não necessariamente planejada com antecedência.

11- Bem, aqui eu uso esse espaço para dizer que seus jogos - especialmente 4 Against Darkness - são muito respeitados pela nossa comunidade brasileira! Estamos muito agradecidos por você ter criado jogos tão incríveis.
Você pode usar esse espaço agora para falar o que quiser, deixar alguma mensagem, entrar em contato ... enfim, esse espaço é todo seu.

Obrigado. Por favor, apoiem meus jogos comprando PDFs originais (www.ganeshagames.net) e livros de bolso (que você pode comprar em www.lulu.com/songofblades) e apoiem a versão brasileira quando aparecer (sim, está em andamento. .. mas não posso dizer mais, só posso dizer que um autor brasileiro está trabalhando nisso)

Aquisições: Atisi ( Edição Bárbara)

Bom , galera, e lá vem novamente os artigos rápidos da área "Aquisições"! A proposta aqui é simplesmente comentar, rapidamente, ...