sábado, 10 de julho de 2021

Como dar o feedback para um autor de RPG

 Fala, galera!

Muitas vezes, no mundo da criação independente, é comum esbarrarmos em obras que, dentro da nossa percepção, poderiam ser aprimoradas, ou ainda com materiais com alguns erros mais fundamentais como erros gramaticais e de digitação.

(Imagem totalmente aleatória...acordei com essa melodia tocando na minha cabeça)

Uma vez que o UNDERGROUND está aberto a todos, é comum que a falta de experiência leve a certos erros ou equívocos.

Mas uma vez que identificamos algo que na nossa visão é um problema, defeito ou ponto fraco do material, qual seria a melhor forma de abordar o criador do material sobre isso?

Seguem aqui algumas dicas. 

Não são verdades absolutas, e acima de tudo reflete a forma que EU gosto de ser abordado. Não tem a intenção de representar o que pensa TODO criador, que fique claro.

Vamos lá então.

Dica 1

ABORDE O AUTOR NO PARTICULAR

Desde o século 5 a Regra de São Bento, o documento que regula a vida dos monges beneditinos há 16 séculos já falava ser essa a melhor maneira. Nada de chegar num post do autor. Mesmo se você estiver com a melhor das intenções. Só haja dessa forma se o autor EXPRESSAMENTE abrir essa possibilidade (como um post pedindo isso). Do contrário, aborde apenas no privado.


DICA 2

PERGUNTE SE O AUTOR QUER OUVIR A SUA OPINIÃO

Sei que essa dica soa estranha, mas vamos analisar. Como disse, o cenário UNDERGROUND está aberto a todo mundo. Logo, muita gente irá criar material nessa cena. E temos que entender que as pessoas vão criar jogos com motivações diferentes. Nem todo mundo que apresenta material está tentando ser designer profissional. Talvez a pessoa apenas queira trabalhar a criatividade. Talvez seja só bum hobby totalmente descompromissado. Ou ainda: talvez a pessoa que está mostrando seu material esteja vencendo uma barreira interna muito grande, e esse material, mesmo que cheio de falhas, seja uma conquista imensa para a pessoa. Ou a pessoa talvez simplesmente não queira. Não custa nada ver qual a intenção do autor, basta um mínimo de esforço e empatia. Talvez para aquela pessoa que depois de anos de luta contra a timidez, o bloqueio criativo ou o perfeccionismo, seu feedback apontando falhas - mesmo que reais e verdadeiras - vai servir só pra desanimar.

Então não custa nada perguntar primeiro. O cara que achar o feedback essencial vai dizer que sim, simples assim.


DICA 3

SEJA GENTIL E EDUCADO

Nem deveria estar colocando isso na lista de tão elementar que isso é, mas vivendo em um país onde até o presidente manda as pessoas calarem a boca em coletiva de imprensa, isso se faz necessário.

Não seja um babaca arrogante. Não fale com ar de superior. Se você é um design experiente, lembre-se de onde você começou.


DICA 4

APONTE SOLUÇÕES, NÃO APENAS O PROBLEMA

Chegar e dizer tudo que você encontrou de erros é fácil. Mas isso ajuda menos do que parece.

Aponte soluções. Dê sugestões de como o autor poderia corrigir aquilo. Indique livros e outros jogos como exemplo do que seria um modelo a seguir. Mas seja realista nas indicações. Indicar a leitura de um RPG importado lançado na década de 80 e que custa 500 reais no Mercado Livre vai ajudar tanto quanto uma cenoura,na maioria das vezes.

DICA 5

ENTENDA QUE O AUTOR PODE SIMPLESMENTE IGNORAR SUA OPINIÃO

A obra é dele. Cabe a ele aceitar ou não.

E nem sempre isso é ruim. Mark Rein Hagen, criador do Vampiro A Máscara e de todo Mundo das Trevas sempre fala que TODOS os feedbacks iniciais do Vampiro foram horríveis. Aparentemente, ninguém gostou daquilo. Mas o Mark decidiu que não mudaria nada, e nessa decisão ele simplesmente mudou todo o cenário do RPG na década de 90. Aliás, até hoje ele leva uma vida bem confortável por conta dos royalties dos produtos licenciados do mundo das Trevas, mesmo ele tendo se desligado da White Wolf há décadas.

Penso no que teria acontecido se ele tivesse mudado sua ideia inicial. Provavelmente nada teria acontecido.

Não estou dizendo que o autor deve ser inflexível.

Mas - e agora uma opinião que eu tenho muito internalizada comigo - a decisão final sobre qualquer criação artística ou cultural TEM que ser do criador. E sim, sei que essa é numa opinião polêmica, mas como é o MEU blog, acho justo colocar aqui.

É isso!

Um comentário:

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