terça-feira, 11 de maio de 2021

Sobre novas edições...

 Esse artigo foi motivado pelo anúncio da Buro Editora de que teremos uma nova edição do Old Dragon.

Entre 2014 e 2018 tive um grupo semanal de OD com outros professores e professoras na escola onde travalhava; foi de longe o grupo mais constante que tive na vida. Ao longo de todos esses anos em que jogamos semanalmente, me lembro de apenas 3 ocasiões em que desmarcamos sessões. Por essas e outras, eu sempre tive muito carinho pelo jogo, e estou de olho nas novidades.

Fico feliz que após tantos anos o Old Dragon continue movimentando a cena.


Esse texto é para expressar minha opinião sobre segundas, terceiras, quartas edições....em geral, não apenas sobre o Old Dragon.


Prós e Cons


Em muitos vídeos do canal eu falo abertamente que não curto novas versões dos meus Rpgs favoritos. É a mais pura verdade, não vou negar.

 Mas seria injustiça falar que isso sempre é uma coisa ruim.

Assim, vou falar o que, na minha visão e dentro da minha opinião, são os prós e contras de termos uma nova edição de um jogo.

Não vou entrar em questões mercadológicas; entendo que as empresas precisam vender, renovar público, e novas edições são praticamente inevitáveis do ponto de vista comercial.


Prós


Uma segunda edição pode servir para aparar algumas arestas que ficaram abertas na versão anterior. Muita coisa que passa batido pelo criador pode ser apontado pela base de fãs. As regras que geraram dúvidas podem ser melhor explicadas. Coisas que funcionaram bem podem ser expandidas, refinadas.

A qualidade de produção pode melhorar; talvez o jogo tenha crescido muito entre uma versão e outra, e agora as possibilidades financeiras sejam melhores.

Os game designers também amadurecem, e talvez eles tenham ideias que ficariam perfeitas para aquele jogo já lançado.


Contras


Uma nova edição pode descaracterizar o jogo. E não falo só de regras, mas também de descaracterizar a identidade visual de um sistema.

Na parte das regras, as novas mecânicas podem propor experiências tão diferentes que o produto meio que "deixa de ser o produto". Foi o que aconteceu com o D&D 4° Edição, na minha opinião.

Na parte visual, pode ser que o jogo assuma uma identidade nova, o que nem sempre é o que o produto realmente pedia.

Com relação a jogos OSR, particularmente, eu tenho o medo constante de que todo jogo novo ou nova versão queira ser o Mork Borg, ou partir para uma gourmetização totalmente gratuita, ou para um lance meio "diagramação pela diagramação". Eu NÃO acho que Mork Bolg seja isso, que fique claro; mas que depois dele eu tenho visto muito material fazendo firula até onde não precisava, ahhhhhh, isso eu tenho. As vezes, menos é mais.

Outra coisa que pode acontecer é uma nova versão realmente não trazer nada de novo da experiência inicial, ser só uma "encheção de linguiça". Já vi jogos sairem de uma edição inicial de 20 e poucas páginas para segundas edições de mais de 100, e nada que REALMENTE justificasse isso.


Sobre o Old Dragon especificamente falando


Fico profundamente sossegado em relação ao VELHO DRAGÃO. Conheço a linha do Mr. Pop e da galera ao redor bem o suficiente pra saber que a segunda edição virá com propostas interessantes e na medida, sem descaracterizar o jogo que tanto amamos. Eu boto minha mão no fogo por isso.


Enfim, eu que nunca me empolgo com anúncios de novas edições confesso que estou ansioso pra ver essa!


Um comentário:

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