domingo, 9 de fevereiro de 2020

Magos Lacunares da Torre Púrpura - Entrevista com os autores

Galera, eis que está rolando mais um Financiamento Coletivo que muito nos interessa: Magos Lacunares da Torre Purpura, nova criação do Jorge Valpaços (Valps) juntamente com a Prissilla Souza (Priss). Além disso, o projeto conta com a diagramação do Diego Bernard e com ilustrações do Lud Magroski.

O jogo trará regras para o jogo em grupo, e também para o jogo solo, ou cooperativo sem mestre!
Vamos lá então! Como sempre, sem revisões, cortes ou edições!


Olá, pessoal! Gostaria de dizer que é uma honra falar com vocês sobre esse jogo incrível. Sintam-se livres para responder da forma que acharem melhor!
1.“Magos Lacunares da Torre Púrpura” entrou em Financiamento Coletivo, e logo nos primeiros dias já angariou muitos apoios! Como vocês apresentariam esse novo projeto para alguém que ainda não conhece a proposta do jogo?
Olá Tarcísio! Primeiramente muito obrigado pela oportunidade de conversar um pouco sobre este projeto!
Priss: Magos Lacunares da Torre Púrpura é um jogo sobre aprendizado, magia e fluidez. Passa por diversão, cuidado, superação, o que a criatividade permitir.
Valps: Hum, de forma simples, Magos Lacunares da Torre Púrpura é um RPG sobre crianças que aprendem a utilizar a magia da criatividade enquanto descobrem a si e ao mundo fantástico que vivem em uma jornada divertida e empolgante!
2.Como surgiu a ideia desse jogo, que é bemmmmm peculiar?
Valps e Priss: Muitas vezes a ideia já estava lá faz um tempão e ela vai se maturando com o tempo. Eu não tinha criado até então nenhum jogo de fantasia e curto pensar nos conjuradores. Então, conversado com a Priss há anos notamos que tínhamos gostos em comum ao pensarmos sobretudo em como a narrativa se constrói em jogos (que é o elemento de metalinguagem em Magos Lacunares), bem como a relação entre aprendizagem e progressão em RPGs poderia ser explorada de formas diferentes. E tudo isso explodiu quando colocamos no jogo muito sobre a relação de ensinar a aprender, parte de nossa vivência enquanto professores. Noctempluft, o nome do cenário do jogo, nasceu assim, como uma explosão de uma bolha de sabão mágica em uma noite. E sim, é uma onomatopeia doidinha. ^_^
3.Quais obras serviram de inspiração? Quais obras e outras mídias – séries, filmes, hqs, etc – vocês consideram capazes de passar um clima parecido com o de Magos Lacunares?
Priss: Vejo as referências em diversas obras, mas por alto. A gente tentou inovar no modo de apresentação e como cada detalhe se harmonizaria com a leveza e a doidera do Condado.
Valps: São muitas, mas por diferentes motivos. A fantasia e a noção de descoberta dialogam com Over the garden wall, a noção de jornada e missões dialogam com Avatar, os elementos sensíveis do cenário e as relações de maturidade e experiência se aproximam de Steven Universe. Sem sombra de dúvidas que a literatura infantil e infanto-juvenil fazem parte das inspirações, mas talvez o que surpreenda alguns é a presença do Mangue Beat, de fantasia urbana, folclore nacional e uma certa brincadeira com uma leitura decolonial da fantasia. 
Vaps e Priss: Talvez a maior inspiração esteja no mundo que nós vivemos e na forma que lidamos com jogos, com a vida, com as histórias, com o aprendizado. Tem muito sobre como aprender (se) jogando em Magos Lacunares.


4.Graças a vocês, eu pude dar uma olhada no livro – que é incrível – e pude ver que ele possui uma estrutura diferente de quase tudo que vemos por aí quando o assunto é RPG! Isso foi intencional, ou simplesmente aconteceu do livro sair assim?
Priss e Valps: Este é um dos pontos mais interessantes na concepção do livro e do jogo. O processo de escrita, testes e validação tinha de ser conectado à experiência do jogo. Logo, a criação do RPG foi lacunar e a organização do texto já entrega a proposta pela forma que ele se apresenta. Foi bem difícil fazer um livro “aberto e preenchível”, e confesso que a gente esquentou a cabeça vez por outra. Mas quando isso acontecia, bastava subir na Torre Púrpura pra pegar uma brisa suave com cheirinho de lavanda. Ocorre que o próprio conceito de manual de RPG é sustentado pela incompletude ante a experiência proposta. Neste sentido existencial, a escrita de um jogo é sempre lacunar, uma aposta, uma abertura, uma entrega. E os leitores/jogadores também a fazem em dois níveis. O primeiro, em relação à própria obra, o segundo, em relação aos demais que partilham as experiências à mesa (ou a si mesmo quando se joga RPG Solo). Quando organizamos o texto da forma que ele está destacamos estas relações sociais e existenciais subjacentes ao ato de ler e jogar RPG. Por isso houve muita sensibilidade e carinho por nossa parte ao desenvolver este jogo, que, como outros que me envolvo, também lidam com a tradição de jogar jogos narrativos como um dos objetivos de desenvolvimento.
5.Magos Lacunares da Torre Púrpura é um projeto com várias pessoas envolvidas… Vocês poderiam falar um pouquinho sobre vocês, como se conheceram, e o que cada um cuida dentro do projeto?
Priss: Sou uma professora de língua portuguesa, fascinada pelas lacunas literárias tão potentes e fluidas. Revisora textual há uns 6 anos.
Valps: Eu sou um professor periférico, um amante de RPG, alguém que gosta muito de ler, de ouvir, assistir, criar histórias. E me descobri escrevendo. Faço parte do coletivo criativo Lampião Game Studio há alguns anos
Priss  e Valps: A gente se conhece há muito tempo, desde o longínquo Ensino Médio, rs. Estudamos juntos, jogamos RPG, a vida nos desencontrou e nos encontrou novamente. Diego Bernard faz parte do Lampião e tem ótimos projetos e soluções para nossos jogos. Vale conferir os trabalhos dele, sobretudo o cardgame que está fazendo. O Lud eu (Valps) conheci pessoalmente no último Diversão Offline de São Paulo, quando jogou Arquivos Paranormais na melhor mesa que narrei no evento. Desde então acompanhei sua arte e encontramos a pessoa certa para ilustrar o Magos Lacunares. Já a Editora CHA (Max e Stella) é composta por pessoas incríveis, realmente compromissadas em trazer livros e jogos que contemplem a diversidade e a inclusão. Quando apresentamos o projeto eles gostaram bastante. Podemos dizer que essa é a equipe perfeita para o projeto!
6.Eu estaria certo se eu dissesse que Magos Lacunares bebe de fontes que vão desde Ariano Suassuna até Harry Potter? Como vocês conseguiram criar um universo fantástico tão original, e ao mesmo tempo tão próximo?
Priss e Valps: É? Acho que sim, né? Hahahha. Então, nada é criado no vazio, no éter. E penso que parte da originalidade está na contextualização de referências e da coesão dos signos e símbolos que são evocados para construir um discurso. Seria absurdo imaginar que uma adesão plena a um projeto se daria sem dialogar com o repertório do leitor. Magos Lacunares não fala de um mundo fantástico totalmente absurdo. Você consegue notar a proximidade de questões aqui do Brasil, elementos que fazem você querer participar de histórias de um mundo “distante-próximo”, e essa relação que parece contraditória não é por meio da fantasia. Afinal, a magia está justamente aí, nessa alquimia que fornece ternura, maravilhamento, emoções e afetos enquanto nos entregamos a um espaço de possibilidades de nos (re)conhecermos. Não é em vão que em Noctempluft há uma região chamada Terras do É-Não-É. ;)
7.Que o Financiamento será bem sucedido, isso não há dúvidas. Então, o que o futuro nos trará dentro desse universo? Algum suplemento a vista?
Valps e Priss: As metas extras já entregam os nossos projetos futuros. A ideia é expandir as possibilidades de jogo em Magos Lacunares. As primeiras metas detalham a capital do Condado e o interior da Torre Púrpura. Temos também um suplemento em mente para detalhar regiões super mágicas do mundo. Além disso, há 2 hacks para o jogo propostos. No primeiro, temos os maguinhos fazendo travessuras e não tarefas dos mestres lacunares. E no segundo hack temos o que seria considerada uma campanha épica, na qual se joga com os avatares da magia, com os próprios mestres lacunares.
8.Bom, é isso! Aqui aproveitem para dar uma dica cultural aos nossos leitores. Pode ser qualquer coisa: um livro, um filme, uma peça de teatro, uma banda… E nem precisa ter relação com o RPG; sejam livres!
Priss: Uma dica cultural, que tal conhecer os heterônimos de Fernando Pessoa? Estamos há mais de um século nessa onda de multiplicidade...
Valps: Uma dica cultural? Sugiro a leitura do quadrinho Re Tinta de Estêvão Ribeiro. É um quadrinho excelente que merece a atenção de todos nós. Muito obrigado novamente e que todos possamos construir futuros mágicos por meio da abertura, maturidade e da magia lacunar!
Um super abraço e muitíssimo obrigado!

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Um comentário:

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